Meios de comunicação condenam decisão do site de divulgar dossiê diplomático sem censurar nomes

Julian Assange, o fundador do WikiLeaks (13/07)
AP
Julian Assange, o fundador do WikiLeaks (13/07)
Meios de comunicação que eram parceiros do WikiLeaks condenaram nesta sexta-feira a decisão do site de publicar todo o seu arquivo de documentos diplomáticos americanos sem censura, revelando nomes de fontes do governo dos EUA.

Até agora, vários veículos tinham tido acesso a todos ou parte dos mais de 251 mil documentos diplomáticos obtidos pelo WikiLeaks antes de serem censurados.

Ao publicar notícias sobre o material, porém, os jornais e revista omitiam os nomes das fontes diplomáticas. O próprio WikiLeaks censurava essas informações, que agora podem ser obtidas por qualquer pessoa.

Em comunicado conjunto, o The Guardian (Reino Unido), o New York Times (EUA), o Le Monde (França), a Der Spiegel (Alemanha) e o El Pais (Espanha), criticaram a decisão do WikiLeaks de publicar os documentos na íntegra, “colocando fontes em risco”.

“Não podemos defender a publicação sem necessidade dos documentos completos – aliás, nos unimos para condená-la”, diz o texto. “A decisão de publicá-los foi única e exclusivamente de Julian Assange.”

Em posts no Twitter, o WikiLeaks afirmou que cópias dos documentos sem censura já circulavam pela internet por causa de uma falha de segurança. Segundo o site, o repórter do Guardian David Leigh teria publicado em livro a senha usada para ter acesso a essa material.

Na terça-feira, o Departamento de Estado dos EUA afirmou que a publicação põe em risco as pessoas mencionadas nos documentos.

Dentre os documentos veiculados na segunda-feira há a identidade de um funcionário da ONU na África e o nome de um ativista de direitos humanos estrangeiro no Camboja, segundo o New York Times. Citado pela rede britânica BBC, o procurador-geral da Austrália, Robert McClelland, diz que também foram listados os nomes de 23 australianos que supostamente teriam relação com grupos terroristas no Iêmen em um documento com data de janeiro de 2010.

A porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland, não quis comentar sobre a autenticidade dos documentos, mas assegurou que os vazamentos, que foram iniciados no ano passado, "põem em risco os citados".

"Além de prejudicar nossos esforços diplomáticos, envolve a segurança dos indivíduos (citados), ameaça nossa segurança nacional e vai contra nossos esforços para trabalhar com os países para resolver problemas que compartilhamos", disse.

Nuland afirmou que os EUA "condenam energicamente qualquer revelação ilegal de informação classificada", ressaltando a preocupação de Washington "pelas revelações ilegais e os riscos" que representam.

Nesse sentido, assinalou que o Departamento de Estado está vigiando a situação e "tomando os passos necessários" para diminuir qualquer potencial ameaça para os EUA e para ajudar aqueles que poderiam estar em perigo. Nuland não quis detalhar as medidas de proteção por motivos de segurança.

Com AP e BBC

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