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Jornais americanos veem populismo em medidas anunciadas por Obama

As medidas anunciadas na quinta-feira pelo presidente Barack Obama para restringir os riscos dos bancos americanos são descritas como populistas por grande parte da imprensa dos Estados Unidos nesta sexta-feira. Na avaliação do diário The New York Times, as propostas delineadas por Obama refletem uma mudança no clima político no país após a derrota democrata na eleição para uma cadeira ao Senado em Massachusetts, na terça-feira.

BBC Brasil |

"Ao defender novos limites para o tamanho dos grandes bancos e sua habilidade para fazer apostas arriscadas, Obama estava dando um golpe público em Wall Street pela terceira vez na semana, demonstrando a necessidade para ele e seu partido de adotar um tom mais populista, especialmente após a vitória republicana na eleição ao Senado em Massachusetts na terça-feira", diz.

Para o diário The Washington Post, o governo americano, que anteriormente havia recusado propostas duras como o limite aos bônus pagos aos executivos dos bancos, está adotando uma nova linha que evidencia que o presidente quer mostrar ao americano médio que entende seus problemas econômicos.

"A proposta é parte da estratégia da Casa Branca no ano eleitoral para reparar os danos provocados à imagem de Obama durante seus primeiros meses no cargo, quando ele ajudou a salvar os bancos da quebra", comenta o jornal.

Segundo a reportagem, os principais assessores do presidente esperam com isso estabelecer um contraste mais forte em relação aos Republicanos, que historicamente se opõem a imposições do governo sobre empresas privadas.

O jornal diz ainda que "assessores da Casa Branca dizem que o presidente ficou mais agressivo nas últimas semanas, quando ficou claro que os grandes bancos que receberam grandes somas de dinheiro do governo para se manter funcionando há um ano haviam voltado a ter lucro fazendo o mesmo tipo de investimentos arriscados que haviam levado eles a ter problemas".

Limite

As propostas anunciadas por Obama preveem um limite ao tamanho dos bancos e a proibição de que bancos invistam em transações financeiras arriscadas visando o próprio lucro.

Sob o título "Obama versus Wall Street", um editorial do jornal econômico The Wall Street Journal diz que "à parte o populismo fácil, Obama apresentou ontem sua primeira ideia séria sobre o debate em relação à reforma do sistema financeiro".

Para o jornal, "os próximos dias demonstrarão se a posição de Obama é séria ou se é simplesmente uma tática política para forçar os Republicanos a defenderem os grandes bancos".

O editorial, porém, diz que mesmo que o plano seja implementado, o projeto do presidente não teria prevenido a crise de crédito de 2008.

"Obama dissemina a ilusão de que toda a crise foi provocada pelos banqueiros. Mas a raiz da crise foi uma festa do crédito, promovida pelo Federal Reserve (o Banco Central americano). A festa foi concentrada no mercado imobiliário, graças ao Congresso e vários governos", diz o jornal.

Na Grã-Bretanha, o diário econômico Financial Times critica as propostas feitas por Obama e diz que "o flerte populista com (a lei) Glass-Steagall é perigoso", em referência à lei adotada de 1933 que impunha restrições às atividades bancárias para evitar um novo colapso como o visto na Grande Depressão de 1929. As restrições foram abandonadas gradualmente até serem totalmente retiradas em 1999.

O editorial do jornal defende que "o objetivo principal de uma política regulatória deveria ser tornar impossível para os bancos falirem sem ameaçar o resto do sistema bancário e a sociedade".

A proposta apresentada por Obama, porém, "não ajuda com isso", afirma o jornal.

Para o Financial Times, a principal política do governo deveria ser "obrigar que as instituições tenham capital suficiente para refletir os riscos que correm e as ameaças que representam para o resto do sistema financeiro".

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