Jornadas Mundiais da Juventude começam com missa em Sydney

Uma missa ao ar livre na qual estiveram presentes milhares de jovens católicos de todo o mundo marcou nesta terça-feira o início das Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ) em Sydney, às quais o Papa Bento XVI, que já se encontra na Austrália, se unirá na quinta-feira, depois de tirar alguns dias de descanso.

AFP |

A grandiosa missa com 26 cardeais, 400 bispos e 4.000 padres de todo o mundo foi realizada em Barangaroo, às margens da deslumbrante baía de Sydney, que foi invadida por cerca 125.000 jovens peregrinos de 169 países do mundo.

"Bem-vindos à Austrália", saudou o primeiro-ministro anglicano Paul Rudd, em vários idiomas, numa aparição inesperada no início da missa. "Os jovens são a luz do mundo em tempos em que há tanta escuridão", afirmou, em suas breves palavras.

A celebração eucarística foi presidida pelo arcebispo de Sydney, cardeal George Pell.

Estas jornadas de reflexão cristã são repletas de eventos como foros sobre os mais variados temas, conversas com cardeais e concertos.

O Papa de 81 anos, que fará 11 discursos durante o evento, fará sua aparição na quinta-feira a bordo de um "barco papal" que atracará no porto de Sydney, e terminará a visita no domingo, com uma missa à qual devem comparecer 500.000 pessoas, encerrando as JMJ.

Bento XVI chegou a Sydney no domingo e vai relaxar alguns dias em uma casa de campo, onde praticará seu passatempo favorito, o piano, acompanhado por uma gatinha, a Bella, que lhe foi presenteada por seus fiéis.

Na propriedade de campo, a Kenthurst Study Centre, pertencente à Opus Dei, o Papa, de 81 anos, pretende se recuperar da longa viagem de avião e se adaptar à mudança de fuso horário antes de seu primeiro encontro com os jovens católicos do mundo inteiro, que terá lugar na quinta-feira, no Porto de Sydney.

De acordo com os organizadores, a congregação constitui o maior evento de 2008 depois das Olimpíadas de Pequim.

"Trata-se da maior congregação humana deste ano depois das Olimpíadas de Pequim", declarou à AFP Kristina Keneally, ministra do Estado de Nova Gales do Sul, cuja capital é Sydney.

As JMJ de Sydney são as 23ª desde sua criação, em 1986, por João Paulo II, e a décima congregação mundial depois de Buenos Aires (1987), Santiago de Compostela (Espanha, 1989), Czestochowa (Polônia, 1991), Denver (Estados Unidos, 1993), Manila (1995), Paris (1997), Roma, (2000), Toronto (Canadá, 2002) e Colônia (Alemanha, 2005).

Após cinco anos de preparação, o governo australiano afirmou que os serviços de saúde, de transporte e de polícia estão prontos para receber os visitantes.

Apesar das críticas envolvendo o custo do evento e as ajudas públicas, as perturbações esperadas da circulação e as posições do Papa sobre a homossexualidade ou a contracepção, os organizadores prevêem JMJ sem incidentes.

Esta viagem de Bento XVI é a nona em três anos. Ele é o terceiro Papa a viajar à Austrália depois de João Paulo II (em 1986 e em 1995) e Paulo VI (em 1970).

A bordo do avião que o levava para Sydney, o Papa ressaltou aos jornalistas que a questão da ecologia será muito presente durante estas 23ª JMJ, que têm como tema o Espírito Santo. "Falar do Espírito Santo é falar da criação e de nossa responsabilidade perante a criação", comentou.

É preciso "despertar as consciências", declarou o Papa, que transformou a defesa do meio ambiente em um dos principais eixos de intervenção de seu pontificado.

Também muito aguardado na Austrália sobre a questão dos abusos sexuais cometidos pelos padres, ele declarou: "Temos que examinar o que foi insuficiente em nosso comportamento e de que forma podemos prevenir, curar e reconciliar".

"Este será o conteúdo da mensagem que vamos transmitir, ao mesmo tempo que nosso pedido de desculpas", acrescentou.

"Ser padre é incompatível com abusos sexuais, com um comportamento contrário à santidade", sentenciou o Papa.

mfc/cn

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