Amã, 5 jan (EFE).- O Governo da Jordânia pediu ao Canadá que confisque os manuscritos do Mar Morto mostrados em uma exposição no Royal Ontario Museum, em Toronto, porque os considera de sua posse, mas que estão em poder de Israel.

Segundo declarou ao jornal "Jordan Times" a ministra de Turismo e Antiguidades jordaniana, Maha Khatib, "o Governo (jordaniano) pediu ao Canadá, através do Ministério de Exteriores, que confisque os manuscritos".

A ministra defende o que estabelece a Convenção de Haia de 1954, assinada tanto pelo Canadá quanto pela Jordânia, sobre a proteção dos bens culturais em caso de conflito armado.

Segundo a ministra, Israel se apropriou dos manuscritos que estavam conservados em um museu de Jerusalém Oriental sob mandato jordaniano quando ocupou o local, na Guerra dos Seis Dias, em 1967.

Os quase mil manuscritos foram descobertos em cavernas nas proximidades de Qumran, no mar Morto, entre 1947 e 1956, e são considerados os manuscritos bíblicos mais antigos conhecidos até o momento, de 2,1 mil anos, e incluem textos da época de Jesus Cristo.

Segundo o "Jordan Times", a imprensa do Canadá concorda com a postura do Governo do país, que acredita que a disputa sobre a propriedade dos manuscritos é assunto dos israelenses, jordanianos e palestinos e que, portanto, não pretende intervir na questão.

O Governo jordaniano, por sua vez, afirma que há provas de que os manuscritos foram comprados de beduínos que os encontraram no deserto e que, portanto, lhes pertencem.

A Autoridade Nacional Palestina (ANP) também reivindicou os manuscritos, dizendo que "são uma parte integral do patrimônio cultural palestino", segundo palavras do diretor do Departamento de Antiguidades e Patrimônio palestino. EFE ajm/sa-an

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