Governo jordaniano diz que anúncio de novas casas em Gilo mostra 'desprezo' de Israel pela comunidade internacional

A Jordânia criticou nesta quinta-feira o plano de Israel de construir 1,1 mil novas casas em áreas ocupadas de Jerusalém, dizendo que a medida é uma nova tentativa de transformar a cidade em território judeu. Além do Egito, a Jordânia é o único país do Oriente Médio que tem acordo de paz com Israel.

Homem trabalha em construções em Guiló, enclave judeu em Jerusalém Oriental (27/09)
AP
Homem trabalha em construções em Guiló, enclave judeu em Jerusalém Oriental (27/09)

"Trata-se de uma violação flagrante do Direito internacional e dos direitos humanos", disse o secretário-geral da Comissão Real sobre Assuntos de Jerusalém, Abdullah Kanaan, em comunicado. "O plano de Israel mostra claramente seu desprezo pela comunidade internacional representada pelas Nações Unidas."

Kanaan pediu aos países árabes que exerçam todas as pressões diplomáticas possíveis para "acabar com a ocupação israelense em terras palestinas".

Na terça-feira, Israel aprovou a construção de 1,1 mil casas para colonos no sudeste de Jerusalém, fora das fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias (1967). O anúncio foi feito após palestinos terem pedido o reconhecimento de seu Estado pela Organização das Nações Unidas (ONU). A decisão irritou o lado palestino e motivou críticas da ONU, dos EUA e da União Europeia.

O ministério israelense afirmou que as casas serão construídas em Gilo, que foi tomada da Jordânia em 1967, juntamente com Jerusalém Oriente e a Cisjordânia. Mais tarde, Israel anexou Gilo à cidade de Jerusalém, passo que nunca foi reconhecido internacionalmente. O governo israelense argumenta que Gilo não pode ser considerado um assentamento por estar dentro dos limites da cidade.

Os palestinos querem Jerusalém Oriental como a capital do Estado que esperam fundar na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Israel considera toda a Jerusalém como sua capital - estatuto não reconhecido no exterior.

Jordânia e Hamas

Nesta quinta-feira, a agência oficial Petra afirmou que o ministro do Interior jordaniano, Mazen Saket, autorizou o chefe do escritório político do movimento palestino Hamas, Khaled Mashaal, a entrar na Jordânia para visitar a mãe doente.

Esta visita será a segunda de Mashal à Jordânia (a primeira foi em 2009 para ver seu pai doente) após sua expulsão junto com outros membros do Hamas e o fechamento dos escritórios do grupo em Amã em 1999.

Desde então, o governo jordaniano não conseguiu normalizar sua relação com o Hamas, porque considera a Autoridade Nacional Palestina, do presidente Mahmoud Abbas, como único representante do povo palestino.

Entretanto, a imprensa jordaniana especulou recentemente sobre a possibilidade de Amã e Hamas retomarem seus vínculos, depois dos últimos contatos entre o movimento islâmico e seu grupo rival, o Fatah, presidido também por Abbas, no Cairo.

Com EFE e AP

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