John Prescott revela que sugeriu a Blair tirar Brown do Governo

Londres, 11 mai (EFE).- O ex-vice-premiê britânico John Prescott disse que sugeriu ao então primeiro-ministro, Tony Blair, que afastasse o atual chefe de Estadoo, Gordon Brown, do Governo britânico por causa de suas freqüentes brigas, mas o ex-líder trabalhista tinha medo de seu ministro da Economia.

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Prescott, vice de Blair no Governo durante dez anos, fez essas revelações em suas memórias, publicadas em série a partir de hoje pelo "The Sunday Times", um dia depois da divulgação dos primeiros trechos da autobiografia da mulher de Blair, Cherie.

As memórias do ex-vice-premiê, consideradas pelo "Sunday Times" "uma das mais sinceras e provocadoras dos últimos tempos", são um testemunho de exceção da tumultuosa relação entre os dois homens mais importantes do novo Trabalhismo britânico.

Em sua autobiografia, Prescott escreve que Blair descumpriu não uma, mas várias vezes, suas promessas a Brown, e que este cogitou renunciar para lutar pela liderança do Partido Trabalhista com o cargo de deputado.

O livro traça um panorama da relação entre os dois políticos desde que se elegeram para o Parlamento britânico, em 1983, época em que, dos dois, Brown era "o líder evidente".

As tensões entre os dois políticos começaram já na primeira legislatura trabalhista, após a vitória eleitoral de 1997, mas foi após a reeleição de 2001 que a situação piorou, por isso Prescott ficou bastante tempo "atuando como conciliador".

"Tony dizia que Gordon não cooperava em absoluto. Gordon dizia que ele tinha sido enganado de novo. Uma vez, Gordon não permitiu que (Tony) visse suas propostas para o orçamento. Proibiu inclusive que o Ministério da Economia o informasse", afirma Prescott.

"Isso vai totalmente contra a tradição. O primeiro-ministro sempre é informado com antecedência", escreve.

"Com Tony, quando estava se queixando da conduta de Gordon, disse a ele: 'Demita-o. Procure um novo ministro da Economia, se é assim que você se sente na realidade'. Mas ninguém podia dar o passo final. Estavam presos em sua própria armadilha. Tony sabia que, demitindo Gordon, dividiria o partido", continua.

Prescott acrescenta que também achava que "Tony tinha medo de Gordon. Não queria enfrentá-lo".

Ao refletir sobre qual dos dois tinha maior responsabilidade nessa situação, Prescott deixa claro que Blair tem a maior parcela de culpa.

"Quebrou seu acordo com Gordon, não uma vez, mas várias vezes. No entanto, em defesa de Tony, a maioria de suas promessas era ambígua e condicionada", afirma.

O ex-vice-premiê também fala sobre o papel de Cherie nesse assunto.

"Acho que ela não gostava de Gordon, e provavelmente sentia que quanto ele mais sofresse, melhor, e, se Tony ficasse, poderia diminuir a possibilidade de uma tomada de poder tranqüila", diz.

As memórias de Cherie, que também se referem à difícil relação entre Blair e Brown, suavizaram os ataques ao primeiro-ministro, segundo fontes editoriais do "Sunday Times". EFE ep/wr/an

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