O senador de Arizona John McCain, candidato do partido republicano, aguarda a próxima terça-feira com um misto de apreensão, quando medirá forças com o concorrente, o candidato democrata, Barack Obama.

John McCain, 72 anos, volta sua campanha para convencer os eleitores indecisos, e até os democratas decepcionados, tendo tido seus comícios reforçados, nos últimos dias, com o apoio do popular governador da Califórnia Arnold Schwarzenegger.

Seus detratores o acusam de não ser um verdadeiro conservador.

"Quem examinar meu passado perceberá que sou mais conservador que o governador Romney", declarou McCain domingo à rede CBS, afirmando ser o único capaz de "unificar o partido e ganhar em novembro".

Filho de um almirante, John McCain participou da guerra no Vietnã, e seu filho está atualmente no Iraque. Em 1967, quando seu avião de combate foi atingido por um míssil vietcongue, ele ficou preso durante cinco anos e meio e tem até hoje mostra seqüelas físicas desta detenção. Casado duas vezes, McCain é pai de sete filhos.

McCain não é popular somente entre os republicanos. Ele redigiu junto com Edward Kennedy, ícone da esquerda americana, um projeto de lei sobre a regularização dos imigrantes clandestinos. E denunciou no Congresso a prática da tortura.

O senador de Arizona afirma representar a integridade e o "straight talk express", algo como a sinceridade nos discursos.

McCain defende o envio de mais soldados ao Iraque e a atual estratégia dos Estados Unidos neste país. É contrário ao aborto, e dá garantias nesse sentido à direita religiosa.

Em 2000, depois de oito anos de presidência democrata, ele se lançou pela primeira vez na corrida pela investidura republicana. Uma corrida interrompida logo nas primárias, quando perdeu para a equipe de seu rival... George W. Bush.

Apesar de tudo, McCain se mostrou leal à presidência Bush, surdo aos apelos do campo democrata e de seu amigo John Kerry, um ex-soldado do Vietnã como ele, que lhe pediu para juntar-se a sua campanha de 2004 contra bush.

Lutando contra seu temperamento forte, ele foi paciente, reforçou as alianças com os conservadores do partido, construiu pacientemente sua candidatura antes de anunciá-la formalmente em 25 de abril de 2007. "Eu não sou o mais jovem dos candidatos, mas o mais experiente", disse a um pequeno grupo de eleitores em Portsmouth (New Hampshire, nordeste).

Em 3 de janeiro de 2008, quando começaram as primárias, oito candidatos se apresentaram do lado democrata e sete entre os republicanos.

Nem Obama, nem McCain eram favoritos. A maioria dos especialistas apostava numa final nova-iorquina com Hillary Clinton de um lado e Rudy Giuliani de outro. A campanha McCain naufragava e carecia de verbas.

Primeiros a se pronunciar, os eleitores de Iowa desmentiram os especialistas. Obama se tornou o candidato democrata e um praticamente desconhecido, o ex-pastor batista Mike Huckabee, ganhou entre os republicanos.

Cinco dias mais tarde, em New Hampshire, McCain provou que os americanos podiam contar com ele.

Um esgotante duelo Hillary Clinton-Obama se iniciou então no campo democrata. E, somente no dia 4 de março a corrida acabou no campo republicano, após as primárias do Texas e de Ohio. "A prova começa hoje", disse McCain.

aje/yw/sd

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.