John Kerry promete apoio dos EUA a negociações de paz no Sudão

Cartum, 16 abr (EFE).- O presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado americano, John Kerry, afirmou hoje no Sudão que os Estados Unidos se comprometem a apoiar negociações entre os rebeldes de Darfur refugiados na Etiópia e o Governo local, cujo presidente, Omar al-Bashir, está sob ordem internacional de prisão.

EFE |

O ministro de Relações Exteriores sudanês, Dineq Alur, afirmou em entrevista coletiva que Kerry expressou o compromisso dos EUA para alcançar um cessar-fogo em Darfur, no oeste do Sudão, através de negociações, que terão lugar em Adis-Abeba.

Segundo Alur, o senador democrata -candidato derrotado ao Governo dos EUA em 2004- analisou nesta manhã com o vice-presidente sudanês, Nafae Ali Nafae, a situação em Darfur, palco de um conflito armado entre o Governo nacional e movimentos rebeldes desde fevereiro de 2003, deixando mais de 300 mil mortos.

Há quase um mês, em 20 de março, um dos principais grupos rebeldes de Darfur, Movimento por Justiça e Igualdade, se retirou das negociações com o Governo devido à expulsão de 13 ONGs da região.

Esta, por sua vez, ocorreu em represália pela ordem de prisão do Tribunal Penal Internacional contra o presidente Omar al-Bashir.

De fato, Kerry assinalou em entrevista coletiva posterior que "Darfur necessita do envio imediato de ajuda humanitária".

Por outro lado, o senador dos EUA e os funcionários sudaneses estudaram os obstáculos para a normalização dos laços entre os países, embora Kerry tenha dito que falta "um longo caminho".

Washington e Cartum mantêm relações tensas devido às sanções impostas pelos EUA contra o Sudão pela violência em Darfur e a inclusão do país africano na lista americana de regimes que patrocinam o terrorismo internacional.

Em junho do ano passado, eles suspenderam o diálogo para normalizar laços, após o fracasso dos Governos do norte e o sul do Sudão na resolução da disputa que mantêm pela administração da rica zona petrolífera de Ebey.

A respeito disso, o Governo sudanês pediu hoje de novo aos EUA que retirem seu nome da lista de países patrocinadores do terrorismo para facilitar a retomada do diálogo, acrescentou Alur.

No entanto, Kerry reiterou as acusações de que o Sudão apoia a facção palestina Hamas e permite a passagem por seu território de armas destinadas a esta organização.

Por outro lado, ambas as partes acertaram a formação de um comitê, que inclua aos EUA e os signatários do acordo de paz entre o norte e o sul, para revisar este pacto, alcançado -com o respaldo de Washington- em janeiro de 2005, e que encerrou 21 anos de guerra civil.

Kerry iniciou ontem uma visita de três dias ao Sudão para se informar sobre a situação em Darfur. EFE az/jp

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