Redação Central, 21 dez (EFE).- Os Jogos Olímpicos de Pequim, realizados de 8 a 24 de agosto, foram o principal evento esportivo de 2008 e confirmaram não só a consagração de estrelas como o nadador americano Michael Phelps e o atleta jamaicano Usain Bolt, mas também a China como potência esportiva mundial.

Em mais de duas semanas de disputa, foram 204 nações e cerca de 10.500 esportistas - sendo 277 do Brasil - competindo em 28 modalidades. No total, foram 43 recordes mundiais superados, e outras 132 melhores marcas olímpicas. Muitos tiveram seus momentos de glória, mas dois deles lembrarão dos Jogos da capital chinesa como principal evento da carreira: Phelps e Bolt.

Com suas oito medalhas de ouro acompanhadas de sete recordes mundiais, o americano bateu a marca histórica de seu compatriota Mark Spitz nos Jogos de Munique, em 1972.

Os ouros de Phelps, de 23 anos, vieram nos 100 e 200 metros borboleta, 200m e 400m medley, 200m livre, e nos revezamentos 4x100m e 4x200m livre, além do 4x100m medley.

Outra marca olímpica histórica foi batida por Bolt, que confirmou a condição de homem mais rápido do mundo ao vencer com impressionante facilidade os 100m e os 200m rasos, além do revezamento 4x100m. Pela primeira vez, um mesmo atleta superou três recordes olímpicos no atletismo em uma mesma edição do torneio.

Entre as mulheres, brilhou a estrela da russa Yelena Isinbayeva.

Mesmo com o ouro já garantido no salto com vara, ela teve a oportunidade de superar a marca dos cinco metros, o que conseguiu por cinco centímetros, estabeleceu mais um recorde mundial e emocionou todos os presentes ao Estádio Nacional de Pequim, conhecido como Ninho de Pássaro.

As estrelas brasileiras em Pequim foram o nadador César Cielo, a atleta Maurren Maggi, do salto em distância, e a seleção feminina de vôlei.

Com a marca de 7m04, Maurren levou o ouro no salto em distância, o primeiro de uma mulher do país em um esporte individual.

O vôlei foi outro símbolo do bom desempenho das brasileiras em Pequim. A seleção treinada por José Roberto Guimarães superou a desconfiança e foi brilhante ao longo do torneio, perdendo apenas um set na final contra os Estados Unidos.

Nos esportes coletivos também brilhou a seleção argentina masculina de futebol, que conquistou o bicampeonato olímpico comandada pelo atacante Lionel Messi. O Brasil ficou pelas semifinais, caindo diante dos rivais sul-americanos por 3 a 0, e seguirá sonhando.

Além disso, o basquete masculino americano voltou ao lugar mais alto do pódio, conquistando o ouro perdido em Atenas com uma geração formada por astros da NBA como Kobe Bryant e LeBron James, a melhor desde o Dream Team dos Jogos de Barcelona. Mesmo assim, a equipe suou para bater a Espanha, campeã mundial, na decisão.

A glória que escapou aos espanhóis no basquete veio no tênis.

Rafael Nadal, novo número um do mundo, brindou o primeiro posto no ranking da ATP com o ouro olímpico.

No quadro de medalhas, a anfitriã China terminou na liderança pela primeira vez na história do evento, quebrando uma hegemonia dos EUA que vinha desde 1996, em Atlanta.

O esporte chinês cumpriu a promessa de se confirmar como potência esportiva e acabou com 51 medalhas de ouro - incluindo triunfos em modalidades pouco comuns para o país, como boxe e remo -, 21 pratas e 28 bronzes.

No total, foram 100 medalhas, sendo 15 primeiros lugares à frente dos americanos. Os EUA somaram mais conquistas, com 110 no geral, mas o sistema de classificação do quadro de medalhas dá prioridade aos ouros.

Os americanos ficaram com 36 ouros, 38 pratas e 36 bronzes. Após um início ruim, a Rússia terminou no terceiro lugar no quadro, com 72 medalhas: 23 de ouro, 21 de prata e 28 de bronze.

O Brasil terminou na 23ª posição, com três ouros, quatro pratas e oito bronzes. Foi a melhor campanha em termos de quantidade de medalhas, com 15 (igualando Atlanta, em 1996), mas não no que diz respeito aos ouros - o país ficou com dois a menos que em Atenas, há quatro anos.

Na cerimônia de encerramento, o belga Jacques Rogge, presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), disse que os Jogos de Pequim foram "excelentes, e que superá-los será um difícil desafio para Londres e as próximas cidades organizadoras".

O dirigente também comemorou os poucos casos de doping - seis anunciados durante a disputa e outros três no fim do ano. Porém, este número ainda pode aumentar por conta das detecções de substâncias mais avançadas como a chamada Cera, eritropoetina (EPO) de terceira geração.

Na entrevista coletiva final sobre os Jogos, Rogge lembrou as conquistas como um acesso mais amplo à internet, permitido pelo duro regime chinês, e os cuidados ao meio ambiente mostrados durante todo o evento.

Entretanto, o grande número de prisões de manifestantes foi motivo de críticas das Organizações Não-Governamentais (ONGs) e do Parlamento Europeu (PE).

Dentro do país-sede, a opinião foi mais otimista. Na cerimônia de encerramento, o presidente Hu Jintao atribuiu o sucesso dos Jogos aos "esforços conjuntos do povo chinês e de pessoas de todo o mundo".

Já uma pesquisa divulgada pela agência oficial "Xinhua" disse que o evento teve aprovação de 98% dos moradores de Pequim.

Apesar das polêmicas, a competição na capital chinesa foi um sucesso de audiência: com um recorde de 4,4 bilhões de espectadores, um terço da população mundial, o evento teve a maior audiência na história olímpica.

Para Londres, palco dos Jogos de 2012, resta pelo menos manter a mesma dedicação das autoridades chinesas, com organização e instalações modernas e impecáveis.

Os britânicos impressionaram já ao receber a bandeira do COI: o jogador de futebol David Beckham e o roqueiro Jimmy Page, do Led Zeppelin foram os representantes no encerramento em Pequim.

Ambos mostraram que a capital britânica não quer decepcionar ao receber novamente a família olímpica, mantendo o status de "continuar sendo o lugar mais legal do planeta" - isso segundo seus dirigentes. EFE dp/rd

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.