Jogos de Pequim apresentam vários riscos para a saúde

Poluição, umidade, calor extremo... as provas olímpicas disputadas ao ar livre serão inevitavelmente influenciadas por estes três parâmetros climáticos preocupantes, mas recorrentes na história recente dos Jogos Olímpicos, mesmo se Pequim também apresente seus próprios riscos sanitários.

AFP |

Los Angeles (1984), Atlanta (1996) e Atenas (2004) não podem ser consideradas cidades de ar puro, limpas e despoluídas, como lembrou recentemente o presidente da comissão médica do Comitê Internacional Olímpico (CIO), Arne Ljungqvist.

No entanto, os temores dos atletas são muito maiores este ano. Para eles, a atmosfera de Pequim é tão assustadora que alguns pensam em competir com uma máscara antipoluição e outros, como o maratonista etíope Haile Gebreselassie, já anunciaram sua desistência.

Consciente do perigo, o CIO, conectado em tempo real nas 27 antenas meteorológicas de Pequim, está disposto a adiar qualquer competição ameaçada por condições climáticas extremas. "Isso já foi feito nos Jogos de inverno, e nas Olimpíadas de 1992 em Barcelona", relativisou o professor Ljungqvist.

No entanto, os cientistas garantem que a poluição, mesmo alta, não terá qualquer influência na saúde dos atletas. Somente os que participam de competições de mais de uma hora, como os ciclistas ou os maratonistas, e os asmáticos poderiam ser afetados.

Acostumado a disputar maratonas em todo o mundo, o campeão olímpico italiano Stefano Baldini concorda: "A poluição é um problema para os ateltas que têm problemas respiratórios. Para mim, o problema é o calor e a umidade".

Assim como Baldini, os médicos das grandes equipes e do CIO estão mais proecupados com a higrometria do que com a poluição. "A evaporação do suor é mais difícil em ambiente úmido (a umidade em Pequim chega a 80% em agosto) do que na atmosfera mais seca que prevalecia em Atlanta ou em Atenas", frisou o nutricionista Serge Pieters.

Além disso, uma transpiração que cola à pele aumenta os riscos de hipertermia. Para contornar o problema, as delegações estudam medidas como a imersão dos atletas em contâineres cheios de gelo ou o condicionamento em câmaras térmicas reproduzindo as condições atmosféricas de Pequim.

Já cruciais em tempo normal, a nutrição e a hidratação serão ainda mais importantes em Pequim, na perspectiva da resistência e da recuperação dos atletas. Além disso, existem riscos sanitários próprios a Pequim.

Sem tomar atitudes drásticas como os americanos, que resolveram importar seus alimentos, todas as delegações recomendaram a seus atletas que não se alimentem fora da Vila Olímpica.

Ainda há o risco de contaminações. Mesmo se os casos de gripe aviária foram registrados muito longe de Pequim, quase todas as delegações vão levar Tamiflu.

Nestas condições perigosas no âmbito climático e sanitário, muitos atletas pensam em desembarcar em Pequim no último minuto, negligenciando assim os efeitos do fuso horário.

No entanto, os cientistas recomendam que os atletas cheguem o mais cedo possível a Pequim, para que o corpo tenha tempo suficiente para se acostumar à atmosfera, à alimentação e ao fuso horário.

cha/yw

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