Jogo online é acusado de incentivar ataque a muçulmanos

Um jogo online em que o jogador encarna um soldado americano cuja missão é matar o maior número possível de muçulmanos, o profeta Maomé e mesmo Alá tem causado revolta entre muçulmanos de várias partes do mundo. O jogo Muslim Massacre foi criado na Austrália por uma pessoa (supostamente um jovem de 22 anos) que adota o pseudônimo de Sigvatr.

BBC Brasil |

"Por que algumas pessoas precisam inflamar ainda mais uma situação já tensa", pergunta o editor do jornal Gulf News, publicado nos Emirados Árabes Unidos, Nicholas Coates.

"Ainda há muitos muçulmanos se remoendo a respeito das caricaturas do profeta Maomé publicadas em um jornal dinamarquês", diz Coates.

Revolta

O autor do jogo se diz inspirado na guerra contra o terror lançada pelo presidente americano George W. Bush.

"Seria mera coincidência o jogo ter sido lançado durante o mês santo do Ramadã? Acho que não", diz Coates. "Foi uma ação pensada para coincidir com o aniversário dos ataques de 11 de setembro? Provavelmente."

Uma associação de muçulmanos britânicos pediu que as autoridades tomem providências que levem ao fechamento do site.

"Esse jogo glorifica a matança de muçulmanos no Oriente Médio e fazemos um apelo para que os provedores de acesso removam o site já que ele incita a violência contra os muçulmanos e tenta justificar o assassinato de pessoas inocentes", diz um comunicado da Ramadhan Foundation.

"Encorajar crianças e jovens a matar muçulmanos em um jogo é inaceitável, de mau gosto e profundamente ofensivo", afirma o presidente da associação, Mohammed Shafiq.

"Se existisse um jogo parecido, mostrando muçulmanos trucidando americanos ou israelenses, a indignação seria mundial", acrescenta o comunicado.

Retratação

Na segunda-feira, vários veículos de imprensa noticiaram que o site havia parado de disponibilizar o jogo, exibindo uma retratação no lugar.

"Gostaria de pedir desculpas publicamente por qualquer ofensa que possa ter causado", dizia a mensagem no site, segundo a mídia australiana.

"Minhas intenções quando lancei o projeto eram tirar sarro da política externa americana e da percepção comum nos Estados Unidos de que muçulmanos são hostis", acrescentava o texto. "Quero esclarecer que nunca compartilhei dessas crenças."

Mas nesta quinta-feira, o jogo estava disponível normalmente com os dizeres "Não seja um liberal! Baixe o jogo agora".

Polêmica

Embora em menor número, algumas vozes favoráveis ao jogo também se manifestaram. O editor da revista online australiana Tech.borge, Dave Parrack, reconhece que o jogo é de mau gosto, mas questiona aqueles que o desejam proibido.

"Defendo que, qualquer que seja a mensagem no centro do jogo, ele deve ter respeitado o seu direito de existir, meramente porque, ao pedir para que ele seja proibido, se pede também para que a internet seja censurada", diz Parrack.

O vice-reitor da Universidade Internacional do Egito, Hamdy Hassan, aponta, no entanto, o potencial explosivo que o jogo pode ter na mente de muitas pessoas do mundo árabe.

"Essa é a expressão de um ponto de vista radical", afirma Hassan. "Portanto, não devemos dar ao assunto uma importãncia maior do que merece, como foi o caso das caricaturas dinamarquesas."

"Ele (o jogo) mostra a animosidade que alguns ocidentais têm para com os muçulmanos e vai certamente contribuir para o aumento das hostilidades entre os dois lados, ao invés de diminui-las", acrescenta o vice-reitor.

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