Jogo de guerra israelense vê EUA colocando Netanyahu de lado

Por Dan Williams TEL AVIV (Reuters) - Israel ficará diplomaticamente marginalizado e militarmente atado enquanto os Estados Unidos buscam um acordo nuclear com o Irã no ano que vem, de acordo com um exercício tático sigiloso da principal instituição de pesquisas estratégicas de Israel.

Reuters |

Nem mesmo um tiro de advertência do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, -- a simulação contou com uma incursão militar contra a usina iraniana de água pesada em Arak -- abalaria a insistência do presidente dos EUA, Barack Obama, no diálogo.

Enquanto isso, o arquiinimigo de Israel provavelmente continuará enriquecendo urânio, talvez até mesmo obtendo a aprovação relutante do Ocidente.

"Os iranianos acabaram se sentindo melhor que os norte-americanos, pois eles estavam mais determinados em se aferrar a seus objetivos", disse Giora Eiland, ex-conselheiro de segurança nacional israelense que interpretou Netanyahu no jogo de guerra de 1º de novembro no Instituto para Estudos sobre Segurança Nacional (INSS) da Universidade de Tel Aviv.

Refletindo o isolamento relativo de Israel, Eiland e sua equipe passaram boa parte da simulação de fora das conversas multilaterais no prédio de três andares do INSS.

"Netanyahu" teve encontros de bastidores com o presidente Barack Obama -- interpretado por Zvi Rafiah --, ex-diplomata israelense com fortes laços com os norte-americanos. Mas as conversas deles foram rápidas e nebulosas.

"Nossa influência sobre os norte-americanos, quando pudemos mantê-los afastados dos iranianos, europeus e outros, foi limitada", disse Eiland à Reuters. "Praticamente a única carta que tínhamos a jogar era a da ação militar. E essa é uma carta desbotada."

Supostamente o único da região a ter um arsenal atômico, Israel insinuou a possibilidade de lançar ataques preventivos como último recurso para evitar que o Irã tenha os meios de fazer uma bomba. Muitos especialistas, no entanto, acreditam que Israel estaria taticamente paralisado assim como contrário a Obama, que está preocupado em provocar um novo conflito no Oriente Médio.

"Eu me preocupo sobre Israel. Preciso defender Israel. Mas Israel não pode agir unilateralmente", disse Rafiah, na pele de Obama.

A simulação foi dirigida por Emily Landau, especialista em políticas do INSS, que levou as conclusões ao governo de Israel.

"A idéia era criar uma situação onde os norte-americanos tentam uma abordagem nova e bilateral em relação ao Irã -- tanto em termos de refrear seu projeto nuclear como de encontrar uma forma de satisfazer suas outras demandas", disse Landau, que vê pouco futuro para as sanções do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), dadas as recusas russas e chinesas.

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