Uma pesquisa feita nos Estados Unidos usuários de um jogo de computador revelou que eles são mais magros que a média dos americanos e praticam exercícios uma ou duas vezes por semana - contrariando a visão de que essas pessoas são sedentárias e tem problemas com a balança. Intitulada Quem joga, Quanto e Por quê? Desvendando o Estereótipo do Perfil dos Jogadores, a pesquisa, realizada por três universidades americanas, analisou o perfil de sete mil usuários do jogo EverQuest 2 - um jogo de representação online, com temática de fantasia.

Para avaliar as condições da saúde dos participantes, além de se eles praticavam exercícios, os pesquisadores analisaram o Índice de Massa Corporal (IMC) de cada um.

Segundo os resultados, o jogador médio possuia o IMC um pouco acima dos 25. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o índice entre 25 e 29 indica pessoas "acima do peso", enquanto os índices maiores que 30 são registrados em pessoas consideradas "obesas".

Apesar disso, o resultado dos participantes é melhor que o da média dos adultos nos Estados Unidos, que é de 28.

"Fisicamente, os jogadores de EverQuest 2 são mais saudáveis que a média da população", diz o estudo. "A descoberta sobre a saúde física dos jogadores foi uma surpresa, dada a literatura sobre saúde e atividades sedentárias".

Pesquisas feitas anteriormente sugeriam que o excesso dos jogos eletrônicos poderia contribuir para a obesidade e um aumento nos problemas sociais e emocionais.

Bem-estar mental

Os estudiosos, que divulgaram suas descobertas na publicação científica Journal of Computer-Mediated Communication, se preocuparam ainda em avaliar as condições da saúde mental dos participantes.

Para isso, questionaram os usuários se já haviam sido diagnosticados com depressão, vício em alguma substância ou ansiedade e compararam as respostas à média nacional americana.

Os resultados indicam que a incidência de diagnósticos de depressão e vícios era maior entre os jogadores do que a média no país. O mesmo, no entanto, não se aplicou com relação à ansiedade.

"Pode ser que o próprio jogo crie esses problemas, mas é também possível que pessoas com problemas de saúde mental também sejam mais propensas a procurar por esse tipo de atividade", diz o texto.

"Em contraste com os as descobertas sobre a saúde física, os indicadores de saúde mental mostram um quadro potencialmente pior."
Segundo o professor Mark Griffiths, diretor da Unidade Internacional de Pesquisas sobre Games da Universidade de Nottingham Trent, na Inglaterra, os resultados apóiam pesquisas anteriores na área.

"Muitas pessoas falam sobre a prática 'excessiva do jogo' como se fosse uma coisa ruim jogar os games, mas o contexto pode fazer toda a diferença", disse.

"Consigo pensar em dois casos de pessoas que passam 12 horas por dia jogando EverQuest, mas enquanto uma é obsessiva, a outra é perfeitamente normal. Os viciados genuínos são poucos e vão muito além", concluiu Griffiths.

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