O vice-presidente americano, Joe Biden, se reuniu nesta sexta-feira com as altas autoridades de seu país em Bagdá, onde milhares de seguidores do líder radical xiita Moqtada Al Sadr se manifestaram contra sua visita, cujo objetivo é acelerar o processo de reconciliação nacional.

Biden também deve se encontrar com o primeiro-ministro iraquiano Nuri al Maliki e seus dois vice-presidentes, Tarek al Hachemi e Adel Abdel Mehdi. É a primeira visita do vice-presidente americano ao país desde a posse do novo governo, em janeiro.

De manhã, ele se reuniu com os duas principais autoridades americanas no Iraque, o chefe das Forças Armadas, general Ray Odierno, e o embaixador Christopher Hill.

Odierno e Hill falaram sobre o estado da segurança e sobre a situação política nacional, segundo a assessoria de imprensa de Biden, que não deu mais detalhes.

Ao saber da presença do vice-presidente americano, milhares de seguidores de Sadr se manifestaram em Sadr City, um bairro miserável de Bagdá, e queimaram uma bandeira americana.

"Denunciamos as visitas surpresas das autoridades americanas no Iraque e, principalmente, a última do vice-presidente", declarou em um sermão o xeque Suheil al-Akabi.

Biden chegou a Bagdá na quinta-feira à noite, com o objetivo de ajudar os iraquianos a superar as divergências políticas e alcançar uma reconciliação que ainda não foi completamente concretizada.

A visita acontece dois dias depois da retirada dos soldados americanos das cidades do Iraque, cuja segurança agora está sob responsabilidade do Exército e da polícia iraquianas.

Biden "conversará com os dirigentes iraquianos sobre a importância de concluir o processo político necessário para garantir ua estabilidade a longo prazo", indicou a Casa Branca.

Além disso, reforçará que Washington está disposta a respeitar o acordo de segurança assinado em 2008, determinando que as tropas americanas devem deixar o país até o fim de 2011.

Recentemente, Obama saudou a retirada dos soldados americanos das cidades iraquianas como "uma etapa importante" para que o Iraque volte a assumir sua plena soberania, mas advertiu que o país ainda tem "dias difíceis" pela frente.

Entre as preocupações do presidente americano estão a divisão do poder entre as diferentes etnias iraquianas, fundamental para manter a estabilidade política após uma redução relativa da violência.

A missão de Biden pode tropeçar em alguns dos principais obstáculos para a normalização do Iraque, como a reintegração política dos antigos membros do partido Baath, de Saddam Hussein.

Depois que a invasão de março de 2003 conseguiu derrubar o regime de Saddam, o exército americano fez uma campanha contra os membros do Baath, fazendo com que grande parte deles passasse a integrar os grupos rebeldes. Além disso, hoje em dia muitos sunitas se sentem condenados ao ostracismo.

Outra questão delicada são as difíceis relações entre o governo federal e a região autônoma do Curdistão (norte), devido às reservas de petróleo lá existentes e à Constituição curda, que deve ser ratificada no final de julho e estipula que a província multiétnica de Kirkuk seja anexada ao Curdistão.

mel/ap

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