Jobim nega que Conselho de Defesa da Unasul pretende ser força regional

SANTIAGO - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, negou nesta terça-feira que exista uma pretensão de iniciar uma força regional de defesa, durante a reunião que constituiu o Conselho de Defesa Sul-americano (CDS) na capital chilena.

Redação com EFE |

"O Conselho não é uma aliança militar clássica, como é o caso da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), que tem problemas sem solução", explicou Jobim, idealizador do órgão sul-americano, que pretende fortalecer a confiança mútua através da integração, do diálogo e da cooperação em matéria de defesa.

O ministro admitiu a possibilidade de dois países decidirem criar equipes conjuntas, como é o caso da força de paz chileno-argentina Cruz del Sur, que, em 2010, estará à disposição das Nações Unidas para atuar em crises ou emergências.

Jobim explicou que o CDS aprovaria nesta terça-feira a adoção de um método padronizado para calcular as despesas em defesa em cada país, e ressaltou a necessidade de transparência nos investimentos na área militar, como na compra de armamento.

"Neste momento, nós não nos conhecemos, este é o primeiro encontro, com uma agenda de trabalho para que possamos conhecer os temas de defesa, nos quais não temos nenhuma informação compartilhada", detalhou.

O ministro anunciou que, no final do ano, será realizado no Rio de Janeiro "um grande encontro sobre a formulação da política estratégica de defesa".

Jobim descartou incorporar países observadores no Conselho de Defesa Sul-americano, como pediu a Rússia.

Além disso, disse que é cedo para saber se o novo organismo da União de Nações Sul-americanas (Unasul) poderá evitar que, no futuro, ocorram episódios como a incursão colombiana em território equatoriano realizada há um ano e que serviu de estopim para a criação do Conselho.

Jobim se mostrou convencido de que a América do Sul pode potencializar sua indústria militar, um âmbito no qual o Brasil se destaca por seu grau de avanço e capacidade. O ministro também ressaltou que, desta forma, se fortalecerá o desenvolvimento de outros setores da economia na região.


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