Ministro da Defesa reconhece ter falado sobre diplomata com ex-embaixador dos EUA, mas não que tenha dito que ele 'odeia os EUA'

O Ministro da Defesa, Nelson Jobim, ligou na manhã desta terça-feira para o ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Samuel Pinheiro Guimarães, para negar as afirmações atribuídas a ele em telegrama da embaixada dos Estados Unidos em Brasília vazado pelo site WikiLeaks.

De acordo com o telegrama, de 2008, Jobim teria dito ao então embaixador dos EUA no Brasil, Clifford Sobel, que Guimarães “odeia os Estados Unidos”. Segundo a assessoria do Ministério da Defesa, Jobim, que se encontra em visita oficial à Polônia, desmentiu a declaração, afirmando a Guimarães que, quando se referiu a ele ao embaixador, classificou-o como “um nacionalista, um homem que ama profundamente o Brasil”.

Segundo Jobim, “se o embaixador disse que Samuel não gosta dos EUA, isso é interpretação do embaixador, eu não disse isso. Samuel é meu amigo”, afirmou.

Em correspondência datada de 25 de janeiro de 2008, o então embaixador dos EUA em Brasília, Sobel relata um almoço que teve Jobim, mantido no cargo pela presidente eleita Dilma Rousseff e descrito como "talvez um dos mais confiáveis líderes do Brasil".

No almoço, segundo Sobel, o ministro teria dito que o então secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães, "'odeia os EUA' e trabalha para criar problemas na relação (entre os dois países)".

O telegrama diplomático faz parte de mais de 250 mil telegramas diplomáticos a que o WikiLeaks teve acesso e começou a vazar no domingo. Deste total, 1.947 foram enviados pela embaixada americana em Brasília entre 1989 e 2010.

Segundo o WikiLeaks, desse total, 54 são classificados como secretos e 409 como confidenciais. Além da documentação de Brasília, há 12 do consulado de Recife, 119 do Rio de Janeiro e 778 de São Paulo.

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