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Jobim diz que Conselho Sul-americano de Defesa não será Otan do Sul

São Paulo, 24 abr (EFE) - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou hoje que o Conselho Sul-americano de Defesa proposto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o resto da região não é uma Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) do Sul, nem uma aliança militar clássica.

EFE |

Jobim explicou em entrevista coletiva que a iniciativa do Governo não deve ser comparada à organização multilateral.

"O conselho é uma concepção política, precisamos formatá-lo e não terá decisões obrigatórias como nos organismos multinacionais", disse Jobim, que iniciou uma série de encontros com os governantes da região em Guiana, Suriname e Venezuela, onde foi recebido pelo presidente do país, Hugo Chávez.

O ministro acrescentou que Chávez, com muita "lucidez" e apesar de suas posições contrárias aos Estados Unidos, "entendeu que o Conselho é para o fortalecimento do continente e não das lideranças atuais, que são transitórias".

"O Conselho é uma atribuição para uma coordenação das atividades de cada país", sustentou.

Ele esclareceu que o projeto "não tem nada a ver com os problemas atuais".

"Foi uma idéia do presidente Lula que começou a ser gestada com o resto de países desde setembro, outubro", assinalou.

Jobim se referia à recente crise entre Bogotá, Quito e Caracas pelo ataque do Exército colombiano contra uma base das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), no qual morreram 26 pessoas, entre eles um dos líderes da guerrilha, "Raúl Reyes".

Em 23 de maio, na Cúpula Extraordinária da União Sul-Americana de Nações (Unasul), na qual os chefes de Estado da região se reunirão no Brasil para constituir o bloco regional, o projeto do conselho será apresentado perante os governantes.

"Daí em diante, teremos quatro meses de trabalho, com dois representantes por país, para formatar o projeto que procura uma identidade sul-americana no campo de defesa das três vertentes: amazônica, andina e platina (de La Plata) e essa 'interface' com a caribenha dos países do norte", apontou.

Jobim contou que nas exposições perante os presidentes da região, que continuarão desde a próxima semana e em sua ordem por Colômbia, Equador, Argentina, Uruguai, Chile, Peru, Bolívia e Paraguai, o Brasil destacará a necessidade de uma "articulação de medidas do fomento de confiança e troca das políticas de defesa".

"No conselho, devemos definir se vamos integrar uma força de paz conjunta para atuar em outros países e missões por fora da região e buscar a integração das bases da indústria de defesa", ressaltou.

Para Jobim, o conselho deverá definir também uma posição conjunta da região nos temas de defesa perante organismos multilaterais, mas evitou abordar nesse sentido o apoio à candidatura do Brasil para ocupar um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU. EFE wgm/db

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