Jobim apresenta projeto de Conselho de Segurança e Defesa no Mercosul

Montevidéu, 16 set (EFE) - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, apresentou hoje na 13ª Sessão Plenária do Parlamento do Mercosul o projeto de criação de um Conselho de Segurança e Defesa dentro da União de Nações Sul-americanas (Unasul).

EFE |

"Não é uma aliança militar clássica, mas um fórum de consultas e integração", por isso "não haverá uma força militar sul-americana", afirmou o ministro em entrevista coletiva após discursar no Parlamento do Mercosul.

O Conselho será integrado pelos ministros da Defesa ou cargos equivalentes dos membros da Unasul e deve ser criado definitivamente até a próxima reunião de presidentes, assim que forem superadas as reservas iniciais de alguns países, como a Colômbia.

Os Estados-membros fundadores da Unasul, constituída formalmente em maio, são Brasil, Argentina, Bolívia, Colômbia, Chile, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela.

Segundo Jobim, a aliança não é voltada "contra ninguém" e as decisões serão tomadas "por consenso e de uma forma não impositiva".

O ministro negou a existência de uma "corrida armamentista na América do Sul" e reconheceu que esse argumento "só serve a aqueles que querem evitar que o continente se fortaleça".

As indústrias de defesa são um setor de desenvolvimento econômico para a região, pelo que o Conselho prevê fomentar as compras governamentais em empresas sul-americanas.

A não intromissão nos assuntos internos de cada país é uma "característica básica do projeto", acrescentou Jobim, que acredita que os desastres naturais e o crime organizado são os "grandes riscos e ameaças" da região.

O ministro defendeu a presença de pelotões de fronteira na Amazônia brasileira para controlar a movimentação de traficantes de drogas.

"A floresta é nossa, e nós devemos protegê-la", afirmou Jobim, que destacou que os países da área "não podem tolerar a idéia de que a Amazônia não é de ninguém".

"A criação do Conselho de Segurança e Defesa Sul-Americano é uma questão da região", disse o funcionário, que reconheceu que o que outros blocos internacionais pensam "não será uma influência sobre o projeto".

Quanto à presença de tropas estrangeiras em alguns países da Unasul, ele lembrou que essas são decisões internas dessas nações nas quais os demais não têm direito de intervir.

O Parlamento do Mercosul realizou entre segunda-feira e hoje sua 13ª Sessão Plenária, na qual se ratificou o "firme apoio ao regime institucional" da Bolívia perante a crise que atravessa pelos protestos da oposição.

Além disso, o Parlamento do organismo regional aprovou uma recomendação ao Conselho do Mercado Comum (CMC) do bloco para que priorize os investimentos em expansão de infra-estrutura de transportes tanto terrestre e aéreo quanto fluvial e marítimo. EFE mtc/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG