Rio de Janeiro, 10 fev (EFE).- O ministro da Defesa, Nelson Jobim, anunciou hoje a destituição do general do Exército que criticou a decisão do Governo de criar a Comissão da Verdade para investigar as violações aos direitos humanos durante o regime militar (1964-1985).

O general Maynard Marques de Santa Rosa será destituído do cargo de chefe do Departamento Geral de Pessoal do Exército, afirmou hoje Jobim em declarações citadas pela "Agência Brasil".

A exoneração foi anunciada depois que o jornal "Folha de S.

Paulo" divulgou o conteúdo de uma nota distribuída na internet.

Nela, Marques de Santa Rosa, general de quatro estrelas e membro do Alto Comando do Exército, diz que a Comissão da Verdade seria uma Comissão da Calúnia porque seria comandada por "fanáticos".

Jobim assegurou que recomendou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em sua condição de comandante das Forças Armadas, que destituísse o diretor de pessoal do Exército.

O ministro acrescentou que o próprio comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, confirmou que a nota que circula na internet é de autoria de Marques de Santa Rosa.

A assessoria de imprensa do Exército esclareceu que a nota é uma carta pessoal que o general lhe enviou a um amigo e que não pode ser interpretada como uma posição oficial da instituição.

"Confiar a busca da verdade a fanáticos é o mesmo que entregar o galinheiro aos cuidados do raposo", assinala a suposta carta do oficial.

O general alega que as autoridades, personalidades e defensores dos direitos humanos nomeadas por Lula como integrantes da Comissão da Verdade são "os mesmos fanáticos que no passado recente adotaram o terrorismo, o sequestro de inocentes e o assalto a bancos como meio de combate ao regime, para chegar ao poder".

A criação da Comissão da Verdade em dezembro passado foi objeto de várias polêmicas e chegou a gerar uma crise no Governo.

Os oficiais temiam que a Comissão tivesse poderes não só para investigar, mas também para sancionar, o que equivaleria a revogar a Lei de Anistia de 1979, que beneficiou militares e guerrilheiros e que permitiu a redemocratização do Brasil. EFE cm/sa

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