João Paulo 2o apoiou elogio a ocultação de abusos, diz cardeal

Por Tom Heneghan VATICANO (Reuters) - Um ex-cardeal do Vaticano que cumprimentou um bispo francês por ter protegido um padre que cometia abusos sexuais afirmou ter agido com a aprovação do papa João Paulo 2o, informou um jornal espanhol neste sábado.

Reuters |

O cardeal Darío Castrillón Hoyos, que era a autoridade do Vaticano encarregada dos padres de todo o mundo quando elogiou o bispo francês, em 2001, inseriu o papa polonês na controvérsia ao fazer essa declaração durante uma conferência na cidade espanhola de Murcia.

Castrillón Hoyos fez o comentário depois que um porta-voz do Vaticano indiretamente confirmou que uma carta de 2001 para o bispo francês, colocada em um site da França na quinta-feira, era autêntica e provava que o Vaticano estava certo naquele ano ao tornar mais rígidos seus procedimentos sobre casos de abusos sexuais.

Ao invocar João Paulo 2o, Castrillón Hoyos pareceu ter tomado parte em uma sutil disputa de poder no Vaticano sobre quem deve ser responsabilizado por falhas no passado em agir efetivamente nos casos de abusos sexuais, cuja revelação nos últimos meses vem abalando a Igreja.

"Depois de consultar o papa, escrevi uma carta para o bispo cumprimentando-o por ser um modelo de pai que não entrega seus filhos", disse Castrillón Hoyos na conferência de sexta-feira, segundo o diário La Verdad, que informou que ele foi aplaudido por prelados, padres e leigos presentes.

"O Santo Padre me autorizou a enviar esta carta a todos os bispos do mundo e publicá-la na Internet."

Castrillón Hoyos, um colombiano que se aposentou do serviço no Vaticano no ano passado, argumentou em entrevista na semana passada à emissora CNN em Espanhol que suspender temporariamente padres que cometeram abusos e depois silenciosamente transferi-los para outro local não era um encobrimento dos fatos.

A carta de Castrillón Hoyos, escrita em francês, em 2001, elogiava o bispo Pierre Pican, de Bayeux-Lisieux, por não ter denunciado um padre francês, que posteriormente foi sentenciado a 18 anos de prisão por ter estuprado repetidamente um menino e cometido abusos sexuais com dez outros.

Pican, que recebeu pena de prisão de três meses, depois suspensa, por não ter denunciado abusos sexuais de menores, admitiu em corte que manteve o padre René Bissey em trabalho paroquial, apesar de ele ter admitido de modo privado ter cometido atos de pedofilia.

O caso chocou a França e levou os bispos do país a declararem que todos os casos de abusos devem ser levados às autoridades civis.

"Eu lhe cumprimento por não ter denunciado um padre à administração civil", escrevera Castrillón Hoyos na carta a Pican.

Na conferência de Murcia, o cardeal afirmou que Pican não denunciou Bissey porque o padre havia admitido seus pecados no confessionário, onde o segredo é respeitado.

No julgamento, Pican declarou que Bissey admitiu os abusos em uma conversa particular, que não estava sob o benefício da proteção legal.

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