João Bernardo Vieira, um golpista que voltou poder eleito em 2005

Autor do primeiro golpe de Estado na Guiné Bissau em 1980, o presidente João Bernardo Vieira, derrubado por rebeldes em 1999 e de volta ao poder em 2005 com o apoio das urnas, foi assassinado nesta segunda-feira por militares.

AFP |

Ex-eletricista nascido em Bissau, em abril de 1939, foi general de divisão e uma das figuras da 'luta pela libertação nacional' travada durante 11 anos contra Portugal, antiga potência colonial desse país pobre e instável da África ocidental.

Desde 1962, João Bernardo Vieira era seguidor de Amilcar Cabral, que, nove anos antes, havia fundado o Partido Africano para a Independência da Guiné Bissau e Cabo Verde (PAIGC), e que se converteria no herói da independência, conseguida em 1974.

Em novembro de 1980, o primeiro presidente do país, Luis Cabral, meio-irmão de Amilcar, foi derrubado por um golpe de Estado encabeçado pela comissão principal. Primeiro-ministro, "Nino" Vieira que se faria eleger presidente em 1981 e depois em 1994 e 1998.

Mas o ex-golpista foi, por sua vez, derrubado em maio de 1999, depois de uma rebelião de 11 meses conduzida pelo general Ansumane Mané, que afundou o país no caos. Expulso do poder, Vieira se refugiou em Portugal.

Em abril de 2005, Vieira concorreu à eleição presidencial, apesar da proibição de atividade política que pesava contra ele. Ele se lançou então como candidato independente, sem o apoio do PAIGC, e foi eleito no segundo turno.

Carente de apoio político, trocou quatro vezes de primeiro-ministro em apenas três anos. Em 23 de novembro de 2008 escapou de uma tentativa de assassinato organizada por militares.

Em 25 de dezembro passado, Vieira se viu obrigado a nomear o primeiro-ministro Carlos Gomes Junior, líder do ex-partido único PAIGC, grande vencedor das eleições legistivas do mês anterior, com quem mantinha más relações.

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