Jimmy Carter diz que Israel o impediu de visitar a Faixa de Gaza

O ex-presidente americano e Prêmio Nobel da Paz Jimmy Carter, que pediu o diálogo com o Hamas e com a Síria, afirmou nesta terça-feira em Ramallah, Cisjordânia, que as autoridades israelenses o impediram de viajar à Faixa de Gaza, controlada pelos islamitas.

AFP |

"Não obtive autorização para ir a Gaza, o que gostaria de ter feito. Pedi uma autorização, mas me foi negada".

As autoridades israelenses, que controlam o acesso à Gaza, não quiseram fazer comentários a respeito.

Carter tinha previsto se encontrar com várias personalidades palestinas, entre elas o ex-vice-primeiro-ministro do Hamas, Naser Shaer, e o primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad.

Na véspera, ele defendeu, em Israel, o diálogo com a Síria e com o movimento islamita Hamas, apesar das críticas recebidas por parte de Washington.

"Considero que é absolutamente crucial que o Hamas e a Síria estejam envolvidos em um acordo final de paz, sonhado e desejado pela região", assegurou Carter, após um encontro com representantes econômicos israelenses na cidade de Lod.

"Inclusive, não estando em um papel de negociador ou de mediador, espero que possamos levar o conjunto dos palestinos a assinar um cessar-fogo e fazer avançar a paz e a justiça", acrescentou Carter, que no final de semana deve se encontrar com o líder do Hamas, Khaled Mechaal.

O encontro foi duramente criticado pelos governos israelenses e dos Estados Unidos. A porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, disse claramente que Carter não representa Washington, ao se referir ao plano do ex-presidente de encontrar com os líderes do Hamas.

Segundo a porta-voz da Casa Branca, "o presidente Bush acha que se o presidente Carter quiser ir, o fará de maneira privada, como cidadão privado, sem representar os Estados Unidos".

"Bush não apóia conversações com o Hamas", acrescentou ela.

Carter, que chegou no domingo a Israel para efetuar um giro de nove dias pela região, com o objetivo de avançar o processo de paz entre israelenses e palestinos, não foi recebido por nenhum membro do governo hebreu.

Israel e os Estados Unidos consideram o Hamas uma organização terrorista.

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