Jimmy Carter diz que Hamas está disposto a reconhecer Israel

Jerusalém, 21 abr (EFE).- O ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter disse hoje, em Jerusalém, que o movimento islâmico Hamas está disposto a aceitar a existência de Israel.

EFE |

"O Hamas estaria disposto a aceitar a criação de um Estado palestino nas fronteiras de 1967 e a reconhecer a existência de Israel como país vizinho", disse Carter a um fórum independente de debates israelense.

O ex-presidente fez estas declarações ao término de uma viagem por várias capitais árabes, entre elas Damasco, onde se reuniu com o líder do escritório político do Hamas no exílio, Khaled Meshaal.

Historicamente, o movimento islâmico palestino nunca aceitou a existência de Israel nem a possibilidade de negociar um acordo de paz.

Na carta de fundação do Hamas, ainda aparece uma chamada à destruição do Estado judeu e a recuperação da Palestina histórica pela via da resistência.

Carter retornou hoje a Israel, pela segunda vez em menos de uma semana, para informar a seus interlocutores locais sobre seus contatos com os líderes do Hamas.

Hoje, o ex-presidente se reuniu com o ministro da Indústria e Comércio de Israel, o ultra-ortodoxo Eli Yishai, o único membro do Governo israelense que não lhe fechou as portas devido a seus encontros com uma organização qualificada como "terrorista" pela legislação local.

Carter entregou a Yishai uma mensagem de Meshaal para o pai do soldado israelense Gilad Shalit, capturado pelo Hamas em 2006, no qual diz que seu estado de saúde é "muito bom".

Também comunicou que o Hamas está estudando a possibilidade de que o soldado envie a seus pais uma carta de próprio punho durante o Pessach (festividade judaica), que se comemora até o próximo sábado.

Sobre as críticas israelenses por se encontrar com membros do Hamas, Carter disse que o "problema não é que ele se reúna com o Hamas, mas não o façam nem Israel nem Estados Unidos".

Segundo o ex-presidente, o movimento islâmico não deve ser deixado de lado nas negociações de paz entre Israel e a Autoridade Nacional Palestina (ANP), que, segundo ele, "sofreram um retrocesso" desde a cúpula de Annapolis, em novembro de 2007.

A viagem do ex-presidente americano o levou também ao Egito, Síria, Arábia Saudita e Jordânia. EFE elb/an

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