O ex-presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, considerou nesta segunda-feira que a crise humanitária no Zimbábue é bem mais profunda do que pensava, devido, principalmente, à destruição da economia e do sistema de saúde.

"Todas as estruturas básicas (...) não funcionam", lamentou o ex-chefe de Estado durante uma entrevista à imprensa em Johannesburgo. "Tudo indica que a crise no Zimbábue é bem mais aguda, bem mais grave do que imaginávamos", acrescentou.

Jimmy Carter deveria visitar o Zimbábue sábado passado junto com o ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan e da militante dos direitos humanos Graça Machel, esposa de Nelson Mandela, em nome do grupo de reflexão "The Elders". Foram obrigados, no entanto, a cancelar a visita à última hora, uma vez que o regime do presidente Robert Mugabe havia se recusado a lhes dar os vistos de entrada no país. Em contrepartida, passaram o final de semana na África do Sul, onde encontraram pessoas envolvidas na crise do Zimbábue.

Os três líderes visitaram uma igreja do centro de Johannesburgo onde estão abrigados centenas de imigrantes zimbabuenses em condições precárias.

A situação econômica no país é considerada catastrófica, com uma hiperinflação de mais de 231 milhões por cento, 80% de desemprego e uma produção em ponto morto. Segundo a ONU, cerca da metade da população precisa de ajuda alimentar e uma epidemia de colera, que já fez cerca de 300 mortos, ameaça se espalhar.

Paralelamente, perdura o impasse político. O presidente Mugabe e seu rival Morgan Tsvangirai devem retomar nesta terça-feira, na África do Sul, as discussões para tentar um acordo de partilha do poder assinado no dia 15 de setembro.

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