Jihad Islâmica anuncia trégua com Israel na Faixa de Gaza

Intermediada pelo Egito, medida é tomada após vários ataques que causaram a morte de pelo menos nove palestinos e um israelense

iG São Paulo |

Depois de vários ataques que causaram a morte de pelo menos nove palestinos e um israelense, o grupo Jihad Islâmico da Faixa de Gaza anunciou uma trégua, intermediada pelo governo egípcio e implementado neste domingo.

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AP
Menino para perto de carro queimado por um foguete lançado na região de Gaza

A partir das 7h da manhã no horário local (3h de Brasília) deste domingo, tanto Israel como o grupo Jihad Islâmico interromperam os ataques, que desde a última quarta-feira envolveram bombardeios da Força Aérea israelense à Faixa de Gaza e o lançamento de mais de 30 foguetes e morteiros contra o sul de Israel.

"A Jihad Islâmica respondeu aos esforços de trégua, mas nos reservamos ao direito de responder a qualquer agressão. Criamos um balanço de horror com o inimigo, que foi quem suplicou por uma trégua", declarou em comunicado divulgado aos jornalistas Abu Ahmed, porta-voz do braço armado do movimento, as Brigadas Al Quds.

O premiê israelense Benjamin Netanyahu não respondeu formalmente ao pedido de cessar-fogo. Em um comunicado divulgado na rádio de Israel, ele disse que o país "não quer que as coisas se deteriorem", mas se defenderia contra qualquer um que atacasse.

Bombardeios da Força Aérea israelense mataram dez militantes do grupo Jihad Islâmico, entre eles Ahmed Sheikh Halil, um dos lideres militares do grupo. De acordo com o porta-voz do Exército israelense, cinco militantes do Jihad Islâmico estavam se preparando para lançar foguetes contra Israel, quando foram atingidos por mísseis disparados por um avião, na manhã do sábado.

Em seguida o Jihad Islâmico lançou foguetes contra as cidades de Ashdod, Ashkelon, Beer Sheva e Gan Yavne, no sul de Israel. Durante o sábado, a Força Aérea israelense bombardeou vários alvos na Faixa de Gaza, matando ao todo dez militantes do Jihad Islâmico. Foguetes do tipo Grad, com um alcance de 40 km, atingiram áreas residenciais nos centros das cidades de Ashdod e de Ashkelon, no sul de Israel.

Um civil israelense da cidade de Ashkelon morreu após ser ferido por estilhaços e mais quatro pessoas ficaram feridas. Um dos foguetes atingiu o estacionamento de um prédio de oito andares em Ashdod, incendiando nove veículos. Outro foguete explodiu em uma escola, também na cidade de Ashdod. No momento do ataque o estabelecimento estava fechado e não houve feridos.

As prefeituras das cidades israelenses atingidas pelos foguetes suspenderam as atividades escolares em decorrência do agravamento da tensão na região. Durante o sábado, o sistema de alarmes soou em todas as cidades do sul de Israel colocando mais de um milhão de habitantes da região em um estado de sobressalto.

Grupo menor

De acordo com analistas locais, o grupo Hamas, que controla a Faixa de Gaza, não tem interesse em uma escalada dos confrontos com Israel e os ataques foram iniciativas do Jihad Islâmico, um grupo menor que é financiado pelo Irã.

A escalada da violência ocorreu poucos dias depois da implementação da primeira etapa do acordo de troca de prisioneiros entre Israel e o Hamas, em que o soldado israelense Gilad Shalit foi libertado em troca da soltura de 477 detentos palestinos .

Em uma segunda etapa, dentro de dois meses, Israel deverá libertar mais 550 prisioneiros e, segundo analistas, o Hamas não tem interesse de criar um clima de violência que poderia prejudicar a implementação da segunda etapa do acordo.

O longo alcance dos foguetes lançados a partir da Faixa de Gaza causa preocupação em Israel. Os foguetes do tipo Grad utilizados no sábado, diferentemente dos foguetes Kassam - que podem atingir um raio de apenas sete quilômetros - têm a capacidade de alcançar o centro do país e ameaçar Tel Aviv, a maior cidade de Israel.

Com BBC e EFE

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