Jigme Khesar Wangchuck é coroado novo rei do Butão

Agus Morales. Thimbu, 6 nov (EFE).- O Butão, um remoto país do Himalaia mergulhado em uma lenta e particular transição democrática, coroou hoje seu quinto rei, Jigme Khesar Namgyel Wangchuck, de apenas 28 anos.

EFE |

Com a declamação de versos budistas ao fundo, o rei Jigme Singye colocou sobre a cabeça de seu filho a tradicional coroa em forma de corvo que o transformou no quinto monarca da dinastia Wangchuck.

A cena simbólica aconteceu às 8h31 (0h31 de quarta, horário de Brasília), momento considerado de esperança pelos astrólogos da Casa Real, que já haviam recomendado ao monarca que adiasse sua coroação para este ano, apesar de já poder ter sido coroado ano passado, após a abdicação de seu pai.

A declamação se prolongou por mais algumas horas, com o máximo líder espiritual de Butão, Je Khenpo, como mestre de cerimônias.

O primeiro-ministro, Jigme Thinley, e outras autoridades entregaram ao monarca pequenos objetos simbólicos como uma roda do "dharma" (lei natural), um elefante - símbolo da força - e um cavalo - símbolo da velocidade.

Os monges lhe ofereceram incenso, frutas e conchas do mar na pequena sala, que tinha a presidente indiana, Pratibha Patil, como único chefe de Estado presente, embora uma visita deste nível não acontecesse há 20 anos, informa uma fonte diplomática indiana consultada pela Agência Efe.

Após a cerimônia central, transmitida em circuito fechado pelo canal "BBS", Khesar seguiu para outro salão do Forte de Thimbu, onde abençoou os aldeões que puderam se aproximar dele.

O jovem monarca pôde ver também as danças de grupos étnicos de inúmeras regiões do Butão, país com cerca de 600 mil habitantes que há anos luta para manter sua homogeneidade cultural e religiosa.

Centenas de pessoas se amontoavam nos limites do edifício real e a Polícia tentava evitar a entrada em massa de butaneses, vestidos com as roupas tradicionais do reino budista.

"Não posso expressar o que sinto pelo rei. Será um grande monarca", declarou à Efe Tshering Tobgay, um professor de 30 anos que não conseguiu cumprimentar Khesar.

O primeiro-ministro, em conversa com a Efe, justificou o papel do rei como "defensor da democracia" e disse que ele é o responsável pela "segurança" aos butaneses.

"Há momentos em que o povo sente insegurança, incerteza e desilusão. E isto pode gerar instabilidade. Em tempos como estes, o rei tem um papel muito importante ao proporcionar unidade e sensação de segurança psicológica e emocional", declarou Thinley.

O monarca guiará o país em sua abertura democrática, como admitiu ontem Thinley em entrevista coletiva, embora o rei não tenha poder de veto sobre as leis aprovadas pelo Parlamento, diz uma fonte governamental consultada pela Efe.

No entanto, a veneração do Governo ao rei mostra o papel importante que o monarca terá na administração dos assuntos de Estado.

O rei Singye empreendeu, em 2006, um processo de reformas que incluía a abdicação do poder em favor de seu filho e a convocação das primeiras eleições democráticas.

Em março de 2008, formou-se a primeira Câmara Baixa do reino do Himalaia, dominada pelo Druk Phuensum Tshogpa (DPT, Partido Virtuoso do Butão), que obteve 45 das 47 cadeiras em disputa.

A dinastia Wang, que projetou o conceito de Felicidade Nacional Bruta, empenhou-se durante as últimas décadas para abrir o país para o mundo, mas preservando sua identidade, moldada em torno das tradições da etnia drukpa (dragão), de origem tibetana e que professa o Budismo Mahayana.

O Governo, integrado pela elite drukpa, realizou no final da década de 1980 uma violenta campanha que empurrou cerca de 100 mil butaneses de origem nepalesa para o exílio no país vizinho.

Apesar do surgimento da democracia no Butão, parte desta comunidade já abandonou a idéia de voltar a seu país natal e aceitou as ofertas de amparo de países como Estados Unidos, Noruega, Austrália e Nova Zelândia. EFE amp/fh/fal

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