Jesuítas negam ter aberto arquivos sobre Pio XII

Cidade do Vaticano, 24 abr (EFE).- A Companhia de Jesus negou hoje ter autorizado a publicação de documentos do arquivo do jesuíta americano Robert Graham sobre o papa Pio XII.

EFE |

Ela afirmou que só dará essa autorização depois que o Vaticano publicar os documentos sobre esse pontífice existentes em seu Arquivo Secreto.

O desmentido foi dado depois que a agência dos bispos americanos "Catholic News Service (CNS)" disse ontem que o preposto dos jesuítas, o espanhol Adolfo Nicolás, havia autorizado a abertura do arquivo de Graham, que poderia revelar como Pio XII ajudou judeus europeus a escapar do Holocausto.

"A autorização (de Nicolás) jamais foi concedida. Só se falou de classificar e digitalizar esses documentos à espera de uma eventual futura publicação, que só haverá quando a Santa Sé abrir o Arquivo Secreto sobre Pio XII", ressaltou a nota dos jesuítas.

Segundo a CNS", o preposto jesuíta dera sinal verde para os historiadores "examinarem, catalogarem e gravarem em formato digital todos os documentos reunidos por Graham sobre o papa (Eugenio) Pacelli (Pio XII)".

Graham, que morreu em 1997, é considerado um dos maiores estudiosos do trabalho durante a Segunda Guerra Mundial de Pio XII, cujo Pontificado começou em 1939 e terminou com sua morte, em 1958.

A coleção particular do jesuíta Graham é composta por mais de 25 mil páginas de testemunhos e documentos sobre as ações do papa e do Vaticano em referência ao nazismo e para ajudar os judeus contra o nazismo.

Pio XII comandou a Igreja de 2 de março de 1939 a 9 de outubro de 1958 e muitos historiadores o acusam de antissemita, por não ter elevado a voz com mais força contra Adolf Hitler, algo sempre negado pelo Vaticano.

Em outubro de 2008 destacados rabinos pediram ao Vaticano que permitisse estudar a documentação sobre seu Pontificado que permanece guardada no arquivo secreto.

O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardo, disse esta abertura só poderá ser feita em seis ou sete anos, tempo necessário, segundo ele, para ordenar 16 milhões de documentos, guardados em 15.430 pastas sobre Pio XII. EFE jl/jp

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