Japoneses elegem oposição e seu programa social

Os japoneses votaram em massa neste domingo em favor da oposição centrista, que prometeu uma política mais social, após 54 anos de domínio conservador na segunda maior economia do planeta.

AFP |

De acordo com as primeiras estimativas publicadas pela imprensa, o Partido Democrata do Japão (PDJ, centro) reuniria entre 298 e 329 das 480 cadeiras da Câmara dos Deputados, infligindo um duro revés ao Partido Liberal Democrata (PLD, direita), o poderoso movimento conservador, que ficaria apenas com 84 a 131 cadeiras.

Assim, o PDJ, que já conquistou a maioria no Senado graças à aliança com dois partidos da oposição, exercerá um controle absoluto sobre o Parlamento, e poderá levar adiante seu audacioso programa de reformas.

Eleições no Japão

O anúncio da vitória foi recebido com uma explosão de alegria e uma intensa ovação no quartel-general do PDJ, no bairro de Roppongi, em Tóquio.

Ao votar na mudança, os japoneses também quiseram punir os excessos da política liberal conduzida pelo PLD nos últimos anos, responsável, segundo eles, da intensificação das desigualdades sociais, do desemprego e da pobreza.

O presidente do PDJ, Yukio Hatoyama, 62 anos, que deve ser nomeado primeiro-ministro pelo novo Parlamento daqui a duas semanas, prometeu conduzir uma política "ao serviço da vida das pessoas", baseada em um generoso programa de ajuda para os aposentados, as famílias e os mais pobres.

Defensor da recuperação econômica pelo consumo, ele ainda prometeu uma educação parcialmente gratuita, uma gratificação financeira para cada nascimento e a supressão dos pedágios nas estradas.

O PDJ avaliou em 16,8 trilhões de ienes (125 bilhões de euros) o custo anual de seu programa a partir de 2012, que pretende financiar erradicando as obras públicas supérfluas e os subsídios clientelistas às regiões e reduzindo os salários dos funcionários.

EFE
Eleitores votam no Japão: a participação foi maior que a de 2005


Rico herdeiro de uma longa dinastia de políticos frequentemente comparada aos Kennedy, o futuro premier é partidário de um Japão mais independente dos Estados Unidos e mais voltado para a Ásia sem, porém, questionar a aliança estratégia com o aliado norte-americano.

O PDJ, que nunca governou, assume o controle de um país que está apenas começando a sair de sua pior recessão desde a Segunda Guerra Mundial, e muitos duvidam da capacidade do partido em tocar todas as reformas sem elevar os impostos.

O PDJ deve nomear já na segunda-feira uma equipe restrita que será encarregada de garantir uma transição suave entre as duas administrações, uma prática comum nos Estados Unidos.

Alguns analistas também questionam a capacidade do PDJ em superar suas dissensões internas, entre ex-conservadores nacionalistas dissidentes do PLD e ex-socialistas. A entrada no governo de dois outros partidos de oposição, o Partido Social Democrata (PSD, esquerda) e o Novo Partido do Povo (NPP, direita), também não vai facilitar as coisas.

Idealizador do "milagre econômico" que transformou o Japão na segunda economia do mundo, o PLD caiu para a oposição pela segunda vez de sua longa história no comando do país.

Em 1993-94, o partido teve que ceder o poder a uma coalizão heteróclita que durou apenas dez meses.

O primeiro-ministro, Taro Aso, o principal perdedor destas eleições, deve anunciar em breve sua renúncia.

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