Japoneses devem apostar em oposição novata neste domingo

Por Linda Sieg TÓQUIO (Reuters) - Eleitores japoneses devem colocar fim ao longo período no poder do partido conservador nas eleições de domingo, dando à nova oposição o trabalho de revigorar a abalada economia e administrar a população que envelhece rapidamente.

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Uma vitória do Partido Democrático do Japão vai acabar com mais de 50 anos de governo quase interrupto do Partido Liberal-Democrático (PLD) do primeiro-ministro Taro Aso e desemperrar o parlamento, onde a oposição e seus aliados têm desde 2007 o controle da Câmara alta, com menos poderes, e podem atrasar a aprovação de medidas.

O Partido Democrático promete investir em famílias com crianças e auxílio a fazendeiros enquanto tiram o poder de burocratas, frequentemente acusados pelas falhas no sistema de aposentadorias.

O líder do Partido Democrático do Japão Yukio Hatoyama, o rico neto de 62 anos de um ex-primeiro-ministro, afirmou no sábado que as eleições vão mudar a história do Japão.

"Essa é uma eleição para escolher se os eleitores têm coragem de acabar com a velha política," disse ele.

Pesquisas de opinião sugerem que o Partido Democrático vai ter uma vitória esmagadora comparável a um terremoto político no Japão, embora analistas afirmem que as previsões são exageradas.

Os mercados financeiros em geral podem gostar do fim de dois anos de entrave no parlamento. Mas analistas temem que o plano de investimentos dos Democratas, uma mistura de ex-membros do PLD, ex-socialistas e jovens conservadores, fundado em 1998, vai inflar ainda mais o déficit público.

O partido prometeu que por quatro anos não vai aumentar o imposto de 5 por cento sobre vendas e se concentrar no corte de gastos. O novo governo vai enfrentar o desafio de administrar a recuperação do Japão após a pior recessão desde a Segunda Guerra enquanto resolve problemas de longo prazo como o envelhecimento da população. A população do Japão envelhece mais rápido do que qualquer outra nação desenvolvida, ampliando os custos com aposentadoria. Mais de um quarto dos japoneses devem ter 65 anos ou mais até 2015.

"Nós precisamos de uma mudança de governo. Eu acho que os Democratas vão realmente cuidar do problema da aposentadoria," disse Sachiko Nogi, de 60 anos, em Tóquio, onde Hatoyama fez seu último discurso para um público entusiasmado. "Se não for resolvido, não haverá amanhã."

A economia retomou o crescimento no segundo trimestre, em grande parte devido ao estímulo de curto prazo, mas a taxa de desemprego bateu o recorde de 5,7 por cento em julho.

A insatisfação dos eleitores com escândalos e políticas que aparentemente não focam problemas de longo prazo erodiu o apoio ao PLD, mas o entusiasmo pelos Democratas ainda é morno. Isso significa que manter os eleitores felizes antes das eleições para a Câmara alta em menos de um ano deve ser prioridade.

(Reportagem adicional de Yumi Otagaki e Colin Parrott)

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