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Japoneses buscam tecnologia para ver pensamentos

Pesquisadores japoneses conseguiram com sucesso processar e visualizar imagens simples diretamente do cérebro humano com a ajuda de um software, no que poderá ser o primeiro passo para se fazer um registro visual de sonhos. Os cientistas da ATR Computational Neuroscience Laboratories, com sede em Kyoto, disseram que a tecnologia desenvolvida poderá, por exemplo, ser usada para ver o que uma pessoa estiver pensando, inclusive durante o sono - desde que esse pensamento envolva a projeção de formas físicas, como a imagem de letras ou objetos.

BBC Brasil |

O pesquisador-chefe Yukiyasu Kamitani, de 38 anos, afirmou que esta foi a primeira vez na história da ciência em que foi possível processar, diretamente das atividades cerebrais, imagens do que uma pessoa viu.

"Existem vários estudos parecidos no mundo, mas nenhum obteve tal sucesso", comemorou Kamitani.

Processo
A idéia dos cientistas era tentar emular o processo de visualização humana.

Quando uma pessoa olha um determinado objeto, a retina dos olhos captura a imagem e a converte em sinais eletrônicos, que são enviados ao córtex visual do cérebro.

A grosso modo, o que a equipe de pesquisadores fez foi estudar minuciosamente esse processo para então poder captar esses sinais e transformá-los em imagem em uma tela de computador.

Com o software criado pelos cientistas, eles conseguiram processar imagens vistas por pessoas ligadas a aparelhos de ressonância magnética.

Durante o processo de pesquisa, os cientistas estudaram diferentes comportamentos de cérebros diante de 400 imagens diversas.

Depois, foram mostradas a voluntários as seis letras da palavra "neuron".

O software processava as imagens captadas por aparelhos de ressonância magnética durante o processo de leitura do cérebro. Os cientistas conseguiram reconstruir a palavra em uma tela neste processo.

Aplicação
A aplicação prática da descoberta ainda vai levar tempo, mas a equipe está mais motivada a prosseguir com os testes.

"Esse aparelho poderá ajudar, por exemplo, pessoas com problemas físicos, como aquelas que só conseguem mover os olhos para se expressar", diz o neurocientista à BBC Brasil.

O estudo, que será publicado pela revista científica americana Neuron, vem sendo desenvolvido há três anos. Sete profissionais participam do projeto, liderados por Kamitani.

O próximo passo agora é trabalhar no desenvolvimento do software para mapear e processar imagens mais complexas e, quem sabe, até materializar um sonho.

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