Japoneses aderem a escambo para driblar crise

Compartilhar, trocar e emprestar parecem ser as novas palavras de ordem entre os japoneses para driblar a crise econômica no país. O chamado sharing (compartilhamento), promovido por sites, empresas e organizações sociais, está ganhando cada vez mais adeptos no país.

BBC Brasil |

Um deles é a vendedora de seguros Tomoko Ozawa, que há sete meses descobriu o site ShareMo, que promove gratuitamente a troca ou simplesmente o empréstimo de objetos.

Desde então, Tomoko já tomou emprestado mais de 40 objetos e despachou outros 50 itens pessoais para pessoas desconhecidas.

"Se tivesse comprado tudo o que peguei, teria gasto pelo menos 500 dólares", contabiliza a japonesa, que agora conta com objetos de decoração, revistas e acessórios, entre outros itens.

Comportamento antigo
Para divulgar e difundir o conceito, um grupo de empresários criou há cerca de oito meses a organização sem fins lucrativos Sharing Times, com sede em Tóquio.

"O sharing é um conceito renovado, na verdade", explicou à BBC Brasil o presidente do grupo, Kazuo Nakane.

Segundo ele, antigamente, o compartilhamento de bens era uma coisa comum no Japão. "As pessoas usavam banhos públicos, faziam as refeições juntos e se ajudavam mutuamente. Depois da Segunda Guerra, o dinheiro passou a ser mais importante e isso acabou com o sistema de sharing", completa.

Por causa dos atuais problemas de aquecimento global e também da crise econômica, Nakane conta que houve uma brecha para divulgar mais amplamente o conceito do sharing e ele tem sido bem aceito pela população. "Ao compartilhar bens você evita o desperdício e economiza", diz.

Como exemplo, o executivo aposentado diz que procura não comprar nada por impulso e foge dos apelos comerciais. "É difícil, ainda mais no Japão, que é um país altamente consumista. Então, nosso trabalho não é o de mudar a sociedade, mas fazer com que ela dê mais valor às coisas."
Guarda-chuvas
Outro que é adepto do compartilhamento de bens é o designer gráfico Jun Otsuka. Ele faz parte de um grupo que promove, desde 2007, o uso coletivo de guarda-chuvas no bairro de Shibuya, na capital japonesa.

"O guarda-chuva é um produto de uso diário, mas as pessoas não cuidam dele, já que no Japão pode-se comprar facilmente esses objetos a preços irrisórios", explica.

A cada ano, o país produz 120 milhões de guarda-chuvas e cerca de 420 mil vão parar nos lixos ou são abandonados. Como é um objeto não-reciclável, o grupo de jovens resolveu dar um jeito de reutilizá-lo.

Atualmente, são 34 lojas cadastradas e cada uma possui um espaço com diversos guarda-chuvas que podem ser usados por qualquer pessoa. Caso ele seja devolvido, a usuário ganha um cupom de desconto que pode ser usado em algum dos comércios parceiros da campanha.

Outros grupos japoneses que promovem o uso coletivo de bicicletas, de terrenos para plantio de legumes e verduras - que depois são divididos entre os que ajudaram a cultivar a terra -, e até de casas de praia e bilhetes de loteria.

O Japão foi um dos países mais atingidos pela atual crise econômica mundial. Recentemente, no entanto, o país começou a dar sinais de melhora.

Nesta semana, o governo japonês divulgou que a produção industrial teve, em maio, um crescimento de 5,9% em relação ao mês anterior - o terceiro aumento consecutivo.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG