Japão: Teste detecta radiação em 17 militares da Marinha dos EUA

EUA decidem afastar navios e porta-aviões de usina nuclear de Fukushima após registrar contaminação de 'baixo nível'

iG São Paulo |

O Pentágono informou nesta segunda-feira que 17 militares que participaram dos trabalhos de assistência no Japão após o terremoto que devastou o nordeste do país deram positivo para "baixos níveis" de radioatividade. Por causa disso, os EUA reposicionaram temporariamente seus navios com base na cidade de Yokosuka.

Um oficial da Marinha americana informou que os militares se encontram em bom estado de saúde e, por se tratar de um nível mínimo de contaminação, a radiação pode ser eliminada com água e sabão. Em nota oficial, a Marinha dos EUA também informou que decidiu movimentar seus navios e porta-aviões para longe da região da usina nuclear de Fukushima após detectar contaminação de "baixo nível" perto de onde eles operavam.

O porta-aviões USS Ronald Reagan se encontrava a 160 quilômetros a nordeste da usina no momento do tsunami que se seguiu ao terremoto de magnitude 8,9 que atingiu o Japão. Os militares afetados integravam as tripulações dos três helicópteros que realizavam tarefas de socorro perto da região de Sendai.

A Marinha explicou que a dose máxima de radiação à qual a tripulação a bordo do porta-aviões foi exposta foi "menor do que a recebida em um mês de exposição à radiação de fontes naturais como as rochas, a terra e o sol". "Seguimos comprometidos com nossa missão de proporcionar assistência ao povo do Japão", disse a Marinha em um comunicado.

No início de um discurso sobre educação em uma escola na periferia de Washington, o presidente dos EUA, Barack Obama, reiterou a promessa de apoio a seu aliado-chave no Pacífico, dizendo que acompanhar comovido a situação das vítimas do terremoto e tsunami de sexta-feira.

"Disse direitamente ao primeiro-ministro do Japão (Naoto Kan) que os Estados Unidos continuarão dando todo o apoio que puderem à medida que o Japão se recuperar dos múltiplos desastres", disse.

Os níveis de radiação nas regiões do extremo oriente da Rússia, perto do Japão, estão dentro da normalidade, informaram nesta segunda-feira as autoridades russas. Além disso, uma equipe de controle ambiental da China disse que não detectou substâncias radioativas em sua costa após recolher amostras das águas do mar da China Oriental por causa das explosões em uma usina nuclear no litoral japonês após o terremoto.

Crise nuclear

A informação sobre a leve contaminação de oficiais americanos surge em meio ao aumento da tensão com a situação nuclear do país após a tragédia. Nesta segunda-feira, barras de combustível em um reator atingido pelo terremoto ficaram expostas por dois momentos, informou a operadora da usina no nordeste do Japão, a Tokyo Electric Power Co. (Tepco).

A informação se refere ao reator número 2 do complexo Fukushima Daiichi, onde os índices de água para resfriamento em volta do núcleo do reator baixaram após a explosão do reator 3 da usina, que destruiu o teto e as paredes da instalação. Segundo a agência Jiji, a possibilidade do derretimento das barras de combustível não poderia ser descartada, com a fusão parcial do núcleo de um dos reatores. O derretimento aumentaria o risco de danos ao reator e de um possível vazamento nuclear, dizem especialistas.

A estação de bombeamento que permite manter submersas as barras de combustível parou de funcionar, o que reduziu o nível de água no reator e manteve 3,7 metros das barras de combustível (que têm 4 metros) expostas ao até pelo menos às 20h07 desta segunda-feira (08h07 no horário de Brasília). As barras voltaram a ficar expostas posteriormente.

Diante dessa situação, a empresa usou água do mar diretamente no reator para afundar as barras de combustível nuclear e conter o eventual processo de fusão. Apesar das informações, o porta-voz do governo japonês, Yukio Edano, descartou a possibilidade de uma grande explosão no reator.

O reator 2 é o terceiro da usina nuclear de Fukushima a sofrer uma pane no seu sistema de resfriamento. Problemas semelhantes causaram explosões em outros dois reatores, informou o operador da instalação. Mais cedo, a segunda explosão atingiu o reator número 3 de Fukushima, dois dias depois de um incidente semelhante envolvendo o reator número 1 .

Segundo a agência de segurança nuclear do Japão, a explosão foi causada por um acúmulo de hidrogênio. O incidente deixou 11 feridos, um deles em estado grave. Mas as autoridades afirmaram que o reator número 3 resistiu ao impacto. O núcleo da estrutura teria permanecido intacto e os níveis de radiação, abaixo dos limites considerados legalmente perigosos.

Ainda assim, dezenas de milhares de pessoas foram retiradas das proximidades da instalação e 22 estão sob tratamento por exposição à radiação. O governo informou que o sistema de bombeamento de água do mar para os reatores permanece em operação apesar da última explosão.

No fim de semana, técnicos trabalharam para resfriar os três reatores da usina Fukushima 1, que tiveram problemas em seu sistema de resfriamento após o terremoto e o tsunami na sexta-feira.

Edano afirmou que há baixa possibilidade de contaminação por radiação por conta da última explosão. Especialistas creem que é improvável uma repetição do desastre nuclear das proporções de Chernobyl, em 1986, porque os reatores atuais são construídos com padrões mais elevados e sob medidas de segurança mais rigorosas.

*Com BBC, Reuters, EFE e AFP

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