Japão termina o ano imerso em crise que contrapõe Governo e oposição

Patricia Souza.

EFE |

Tóquio, 20 dez (EFE) - O Japão viu este ano chegar ao poder o terceiro primeiro-ministro consecutivo não eleito nas urnas, uma crise política sem perspectivas de solução no curto prazo que foi agravada pela recessão econômica mundial.

Taro Aso estreou à frente do Governo japonês em setembro, mesmo mês escolhido por seus antecessores Shinzo Abe e pelo mais recente Yasuo Fukuda, que duraram cerca de um ano no poder, derrubados pela pressão da oposição e por sua própria falta de liderança.

Os três pertencem ao Partido Liberal-Democrata (PLD), que controla o Governo japonês há mais de meio século e que os escolheu em sucessivas eleições internas.

Apesar de sua impossibilidade real para governar devido ao bloqueio parlamentar da oposição, o PLD resistiu este ano a antecipar as eleições gerais previstas, inicialmente, para setembro de 2009, ciente de sua crescente falta de popularidade.

Apenas um mês após ser eleito premiê, Taro Aso, um ambicioso ex-ministro de Exteriores de 68 anos, teve uma imagem mais regular do que positiva nas pesquisas sobre seu desempenho, e isso considerando que seu carisma era uma de suas principais virtudes.

A verdade é que o Japão vive em perpétua crise política desde que seu último primeiro-ministro reconhecido fora das fronteiras, o popular Junichiro Koizumi, deixou o Governo em setembro de 2006, um ano após as últimas eleições gerais.

Até o fim de 2008 houve um "déjà vu" político que poderia descrever os dois mandatos anteriores: um primeiro-ministro com baixa popularidade quer recuperar o protagonismo para o Japão no cenário internacional, mas a oposição não o deixa tomar decisões.

O opositor Partido Democrático de Ichiro Ozawa, um ex-dirigente do PLD de saúde frágil, mas infinita sede de vingança, vê abrir caminho para um inédito bipartidarismo na segunda maior economia do mundo.

Desde julho de 2007, a oposição controla o Senado, onde desacelerou a aprovação das iniciativas governamentais para forçar uma antecipação eleitoral, mas Ozawa, seja por motivo de doença ou por indecisão, não soube aproveitar a oportunidade.

Nem Abe, nem Fukuda nem agora Aso conseguiram tirar o partido e o país da estagnação política brusca na qual se encontra, ao que este ano somaram-se também os efeitos da crise econômica, que começam a ser evidentes no Japão.

De fato, a seriedade da situação econômica é a razão alegada pelo primeiro-ministro japonês para não convocar eleições este ano, como davam por certo os aliados do grupo budista Novo Komeito e grande parte dos membros da própria legenda.

Logo após ser eleito primeiro-ministro, em 24 de setembro, Aso insistiu em que é preciso que a economia japonesa "recupere sua vitalidade" através de medidas rápidas de estímulo no curto prazo, reestruturação fiscal e reformas estruturais no longo prazo.

A segunda maior economia do mundo entrou oficialmente este ano em recessão, ao acumular dois trimestres consecutivos de contração, de abril a setembro, e o próprio Governo acredita que será difícil que retome o crescimento positivo até 2009.

Taro Aso disse reiteradamente que sua prioridade agora é fazer frente à "tempestade financeira" e, para isso, apresentou dois planos de estímulo que superaram os US$ 300 bilhões, mas a oposição voltou a colocar em pé de guerra.

Ozawa, de 66 anos, não aceitou estender a missão logística japonesa de apoio às tropas dos Estados Unidos no Índico, o articulado do plano para devolver dinheiro às famílias - chamado de insuficiente - nem a renovação do imposto para as construtoras.

Definitivamente, não aceitou nada que venha do antigo berço político, o PLD, um partido que, apesar da grande impopularidade, acaba 2008 no Governo no Japão, como ocorreu desde 1955, com exceção de um curto intervalo de um ano. EFE psh/db/mh

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG