Japão terá blecautes para economizar energia, diz premiê

Naoto Kan pede que população economize energia e diz que país enfrenta pior crise desde a Segunda Guerra Mundial

iG São Paulo |

O primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, afirmou neste domingo que vão ocorrer blecautes de energia no país nos próximos dias, já que os sistemas de abastecimento foram seriamente danificados pelo terremoto seguido de tsunami de sexta-feira.

Kan afirmou que o sistema vai levar dias para ser restabelecido e fez um apelo para que a população economize energia. Segundo o premiê, haverá um rodízio nos cortes para que hospitais e outros serviços essenciais possam funcionar normalmente.

O ministro japonês da Indústria, Ban Kaieda, afirmou que os consumidores podem enfrentar uma ou duas semanas de blecautes a partir de segunda-feira. "É muito possível que as áreas abastecidas pela Tokyo Electric e a Tohoku Electric enfrentem uma situação anormal na qual haverá falta de energia", afirmou, recomendando que os japoneses não usem aparelhos como ar-condicionado ou aquecedor.

Em seu pronunciamento, o primeiro-ministro disse que o país enfrenta a maior crise de sua história desde a Segunda Guerra Mundial, quando bombas atômicas foram lançadas nas cidades de Hiroshima e Nagasaki. Kan fez um apelo para que os japoneses permaneçam unidos para criar "um novo Japão".

Segundo Kan, cerca de 12 mil pessoas foram resgatadas desde sexta-feira. Neste domingo, um homem de 60 anos foi resgatado com vida após passar dois dias agarrado a um pedaço do telhado de sua casa, que foi arrastada pelo tsunami.

Hiromitsu Shinkawa foi resgatado por um destróier da Marinha japonesa em alto-mar, em frente ao litoral de Fukushima, a cerca de 250 quilômetros de Tóquio. Ele foi levado de helicóptero ao hospital e passa bem.

Segundo a agência de notícias Jiji, Hiromitsu, que é morador da cidade de Minamisoma, contou que "começou a correr quando ouviu o alerta de tsunami", mas "voltou para trás para recuperar algo em casa e foi levado pelas águas".

O governo do Japão dobrou o número de militares que atuam na busca por sobreviventes. No sábado, eram cerca de 50 mil e agora já passam de 100 mil. Operações de resgate acontecem em meio a um cenário impressionante: prédios destruídos, árvores caídas e ruas tomadas por lama, carros, barcos e até pequenos aviões.

Equipes de resgate usam botes para passar por áreas inundadas, buscando sobreviventes em um mar de destroços. Segundo autoridades, a maior parte das centenas mortes registradas até agora foi causada por afogamento, após ondas gigantes arrastarem carros e casas nas cidades costeiras.

"O tsunami foi incrivelmente rápido", disse Kpichi Takairi, 34 anos, morador da cidade de Sendai, a mais próxima do epicentro do terremoto e uma das mais afetadas pelas ondas gigantes. "Carros eram arrastados à minha volta. Tudo o que pude fazer foi ficar sentado no meu caminhão", afirmou, em entrevista à agência Associated Press.

Na tentativa de impedir que o número de vítimas aumente, bombeiros sobrevoam extensas áreas do país em helicópteros tentando controlar incêndios em complexos industriais e casas de madeira.

Maior tremor da história do Japão

De acordo com o Instituto de Geofísica dos Estados Unidos (USGS), o terremoto de 8,9 graus de magnitude é o maior já registrado na história do Japão e o 7° maior da história.

Até hoje, o mais forte terremoto do Japão tinha acontecido em 1933. Com 8,1 graus de magnitude, o tremor atingiu a região metropolitana de Tóquio e matou mais de 3 mil pessoas.

Os tremores de terra são comuns no Japão, um dos países com mais atividades sísmicas do mundo, já que está localizado no chamado "anel de fogo do Pacífico".

O país é atingido por cerca de 20% de todos os terremotos de magnitude superior a 6 que acontecem em todo o planeta.

Com AP, EFE e BBC

    Leia tudo sobre: japãoterremototsunamienergiatremor

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG