Cerca de 500 empregados da Tepco e outros 300 de empresas terceirizadas trabalharam por mais de um mês na usina abalada pelo terremoto

Criança de três anos passa por teste de radiação perto da usina de Fukushima (14/4/2011)
AP
Criança de três anos passa por teste de radiação perto da usina de Fukushima (14/4/2011)
A Tokyo Electric Power Company (Tepco), operadora da usina nuclear de Fukushima Daiichi, informou neste sábado que começou a submeter 800 técnicos da central a revisões médicas, quase dois meses depois do início da crise nuclear.

As revisões começaram depois que em 25 de abril o Ministério da Saúde japonês ordenou que a companhia examinasse imediatamente os operários que trabalharam na usina durante mais de um mês desde o início da crise provocada pelo terremoto e o posterior tsunami de 11 de março, segundo a agência Kyodo. Em 16 de março, o governo também exigiu que a Tepco fizesse revisões nos trabalhadores expostos a níveis acima de 100 milisieverts de radiação, após elevar o limite legal de exposição em situações de emergência de 100 para 250 milisieverts.

Cerca de 500 empregados da Tepco e outros 300 de empresas terceirizadas trabalharam por mais de um mês na usina abalada pelo terremoto. Destes, 30 foram expostos a um nível de radiação acumulada de mais de 100 milisieverts. A princípio, o governo solicitou que as revisões fossem realizadas uma vez solucionada a crise na usina, imaginando que esta não se prolongaria muito.

Revisão

Até agora, foram submetidos a revisões médicas apenas três trabalhadores que ficaram expostos a altos níveis de radiação em 25 de março e aqueles que deixaram de trabalhar na central. A Tepco, por sua vez, anunciou nesta semana um plano para melhorar as condições dos 1 mil técnicos que trabalham na central, muitos dos quais dormem em colchonetes no chão, segundo o jornal Mainichi.

A operadora da usina ainda não conseguiu controlar a situação em Fukushima, cujos reatores ficaram sem sistema de resfriamento pelo terremoto de 9 graus e o tsunami de 11 de março, em catástrofe que deixou 25 mil vítimas, entre mortos e desaparecidos.

Na quinta-feira, funcionários da usina nos prédios que abrigam os reatores pela primeira vez desde o terremoto que atingiu o país no dia 11 de março. A Tepco afirmou que os trabalhadores estão instalando sistemas de ventilação no reator 1 para filtrar partículas radioativas no ar. O objetivo é reduzir o nível de radiação no local para que seja possível instalar um novo sistema de resfriamento, já que o anterior foi desarmado pelo terremoto.

Na sexta-feira, o primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, pediu a suspensão de reatores da usina de Hamaoka até que existam medidas de segurança para enfrentar tsunami ou terremoto. A companhia que opera a usina, a Chubu Electric, no entanto, adiou o fechamento pedido pelo premiê, assim como uma melhora das medidas de segurança contra futuros terremotos e tsunamis. O argumento da Chubu Electric é que a paralisação dos reatores poderia piorar ainda mais a carência de energia esperada para este verão no Japão.

*Com EFE

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