Japão subestimou risco nuclear por tsunami, mas reagiu bem, diz ONU

Relatório preliminar de agência indica falha no projeto de usinas atômicas, mas indica que reação do Japão foi 'exemplar'

iG São Paulo |

AP
Foto aérea de 20 de março de 2011 mostra reator 1 da usina nuclear de Fukushima, Japão
O Japão subestimou o risco de um tsunami atingir uma usina nuclear, afirmou nesta quarta-feira uma equipe da ONU para segurança nuclear em visita ao país. Apesar disso, a missão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) afirmou que a resposta do Japão ao desastre nuclear de 11 de março, quando um terremoto e um tsunami danificaram a usina Fukushima Daiichi, foi “exemplar”.

"O risco de tsunami foi subestimado", indica o relatório, elaborado por especialistas que ficaram "profundamente impressionados com o trabalho dos operários japoneses perante esse acidente nuclear sem precedentes".

A AIEA também sugeriu que o Japão estabeleça um centro de resposta a emergências “mais forte”.
A agência da ONU está analisando as razões para uma série de vazamentos de radiação provocados pelo superaquecimento dos reatores por causa de falhas nos sistemas de resfriamento na usina de Fukushima, no nordeste do Japão. Quase três meses após o tsunami, a usina de Fukushima continua vazando radiação.

Relatório

A AIEA está preparando um relatório sobre o desastre nuclear no Japão que será apresentado em uma conferência internacional em Viena entre 20 e 24 de junho. A equipe da agência inclui especialistas em segurança nuclear de Grã-Bretanha, França, Rússia, China e Estados Unidos.

Em seu relatório preliminar, de três páginas, a agência apontou a principal falha, admitida pelo Japão, no planejamento para o risco de ondas que superassem a altura dos muros de 5,7 metros e desligassem os geradores de segurança da usina. A altura das ondas do tsunami chegou a 14 metros.

“O risco de um tsunami para diversos locais foi subestimado”, diz o relatório preliminar. “Projetistas de usinas nucleares e operadores deveriam avaliar apropriadamente e prover proteção contra o risco para todos os desastres naturais”, afirma.

Segundo a agência, era necessário o monitoramento contínuo da segurança e da saúde dos trabalhadores e do público em geral. O relatório também enfatiza a importância de reguladores independentes no setor nuclear.

Goshi Hosono, que chefia a força-tarefa estabelecida pelo governo japonês após o desastre, aceitou o relatório e disse que o governo terá de revisar suas normas para as usinas nucleares. Segundo o correspondente da BBC em Tóquio, Roland Buerk, o governo convidou a AIEA ao país para mostrar que está aprendendo lições com o desastre em Fukushima.

O relatório da AIEA aponta também a necessidade de "independência da autoridade de regulação nuclear" japonesa, atualmente sob a tutela do ministério da Indústria.

*Com BBC e AFP

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