Japão se prepara para mudança histórica nas eleições deste domingo

TÓQUIO - Mais de 1.300 candidatos de 12 partidos vão tentar conquistar neste domingo uma das 480 cadeiras da Câmara dos Deputados do Japão, que se encarregará, em seguida, de eleger um primeiro-ministro, tradicionalmente o líder do partido vencedor, numa votação histórica que pode acabar com meio século de hegemonia conservadora.

Redação com agências internacionais |

Todas as pesquisas prevêem uma vitória esmagadora do Partido Democrata do Japão (PDJ) de Yukio Hatoyama, a principal força da oposição, que prometeu inúmeras medidas em favor das famílias, desempregados e pobres. O Partido Liberal Democrata (PLD), de Taro Aso, perderá assim o poder pela primeira vez desde 1955, sem contar um breve intervalo de dez meses nos anos 1990.

Porém, além dessa alternância política, preocupados com o aumento do desemprego, com a degradação dos padrões de vida, com a queda demográfica e com o envelhecimento da população, os japoneses pedem uma mudança social.

PDJ lidera

O Partido Democrata do Japão (PDJ, centro), principal grupo opositor, dirigido por Yukio Hatoyama, de 62 anos, parece ter compreendido muito bem o anseio dos japoneses. Seu slogan "uma política a serviço da vida das pessoas" acerta no alvo, segundo as pesquisas que preveem uma vitória esmagadora do PDJ sobre o Partido Liberal Democrata (PLD, direita), do primeiro-ministro Taro Aso.


Hatoyama é o líder da oposição e favorito para ser o novo premiê / AP

É certo que o programa da oposição tem propostas atraentes à população, como subsídios às famílias, ensino gratuito, ajudas aos desempregados, aposentadoria mínima, combate aos subempregos, fim dos pedágios nas estradas.

Esses programa generosod - até demais, segundo alguns economistas - parecem seduzir um eleitorado normalmente reticente a mudanças. O PDJ, como um movimento heterogêneo, terá que administrar suas divergências internas para governar.

PLD na lona

No campo oposto, Taro Aso, de 68 anos e presidente do PLD, se apresenta como um líder responsável e com experiência, que age, em vez de perder tempo com palavras.


Taro Aso é o atual primeiro-ministro do Japão / Reuters

"Não votem em um governo, e sim em uma política", reiterava em seus discursos, atribuindo a si mesmo os méritos pela reativação do crescimento após quatro trimestres de recessão.

Artífice do "milagre econômico", que transformou o Japão na segunda potência econômica do mundo, o PLD conseguiu se manter no poder desde 1955 -com uma breve interrupção de dez meses nos anos 1990 - apoiando-se nos grandes empresários e na toda- poderosa burocracia estatal para forjar o que é chamado de "triângulo de ferro".

Fim da hegemonia

A situação de partido hegemônico, inédita nas grandes democracias, parece ter chegado ao fim. O PLD sofre as consequências das reformas liberais do ex-primeiro-ministro Junichiro Koizumi (2001-2006), que agravaram as desigualdades e aceleraram o declínio do partido conservador.

Segundo diversas sondagens, o PDJ, partido de oposição, poderá conquistar cerca de 300 cadeiras das 480 da Câmara dos Deputados, e inclusive a maioria de dois terços. Uma excelente revanche para um partido que há quatro anos obteve apenas 112 deputados contra os 334 do PLD e de seu aliado, o Novo Komeito (budista).

Se o PDJ ganhar, Hatoyama, herdeiro de uma rica dinastia política comparada aos Kennedy, será eleito primeiro-ministro pela Câmara Baixa saída das urnas e formará um governo.

Os conservadores, que perderam o controle do Senado em 2007, parecem resignados à derrota. Contudo, eles querem impedir o PDJ, que obteve 112 cadeiras em 2005, de conquistar a maioria absoluta de 241 cadeiras na Câmara dos Deputados.

Se o PDJ não conseguir a maioria absoluta, terá de se aliar a outros pequenos partidos para formar uma maioria, um cenário que durou apenas dez meses em 1993 e 1994 antes da volta do PLD ao poder.

Eleições no Japão

Leia mais sobre eleições no japão

    Leia tudo sobre: eleições no japão

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG