Japão se prepara para catástrofe, mas tsunami perde força

Tóquio, 28 fev (EFE).- O Japão ativou hoje todos os alertas que possuía e ordenou a retirada maciça de habitantes da costa devido ao tsunami gerado após o terremoto de sábado no Chile, que acabou causando danos menores que o temido.

EFE |

A Agência Meteorológica do Japão emitiu seu maior alerta de tsunami em 17 anos com a memória de 1960 ainda viva. Naquele ano, um terremoto de 9,5 graus na escala Richter, que sacudiu o Chile, levou fortes ondas à costa japonesa e deixou 140 mortos.

O alerta de hoje foi dado após o grave terremoto de 8,8 graus na escala Richter que abalou o Chile neste sábado e causou mais de 300 mortes.

O temor de ondas de até 3 metros na área nordeste da ilha de Honshu, a mais povoada do Japão e onde se encontra Tóquio, levou hoje à paralisação de trens e frota e à suspensão de eleições municipais.

Segundo a agência de notícias "Kyodo", as autoridades japonesas ordenaram a evacuação de 320 mil pessoas nas províncias de Iwate, Aomori e Miyagi, em Honshu. Todas receberam um aviso de "grande tsunami", apesar de toda a costa do Pacífico do Japão ter sido alertada da possibilidade de fortes ondas devido ao terremoto chileno.

As autoridades japonesas recomendaram a evacuação de mais de 500 mil famílias em toda a costa do Pacífico, segundo a rede de televisão pública "NHK".

A Agência Meteorológica do Japão emite um alerta de "grande tsunami" quando espera ondas de mais de 3 metros de altura, capazes de criar grande destruição. A última vez que o fez foi em 1993, após um terremoto de 7,8 graus em Hokkaido, no norte do país.

No Japão, o alerta máximo esteve vigente de 9h (21h de sábado em Brasília) até as 19h (7h), mais ou menos na mesma hora em que o Centro de Alerta de Tsunamis do Pacífico levantou o aviso emitido para 53 países.

A precaução se manteve no Japão durante um pouco mais, pois os meteorologistas temiam mais o impacto da segunda e terceira séries de ondas que da primeira.

O primeiro-ministro japonês, Yukio Hatoyama, alertou a população que o tsunami "não são apenas as primeiras ondas". "Nunca podemos nos sentir otimistas e pensar que estamos a salvo porque já chegou a primeira onda. Um tsunami é algo que é preciso temer", explicou.

No final, as ondas que chegaram à costa foram menores que o anunciado. A mais alta tinha 1,45 metro e atingiu o porto de Otsuchi, na província de Iwate, por volta das 15h40 (3h43), segundo a "Kyodo". A população estava avisada desde horas antes.

A Polícia japonesa informou que, no fim deste domingo, não se tinha informação sobre vítimas ou danos graves, e a situação estava em calma nas zonas em alerta.

Por ser propenso a sofrer abalos, ao se encontrar sobre várias placas tectônicas, o Japão é também um dos países mais preparados do mundo para responder a terremotos ou tsunamis.

Os prédios japoneses são construídos de acordo com uma estrita legislação que obriga a utilização de materiais especiais e a existência de um espaço entre prédios e casas. Nas costas do país há muros de contenção e a população está preparada desde cedo para reagir a um grande terremoto.

Por isso, alertas como o de hoje, reiterados durante o dia todo por todos os canais de televisão, costumam ser seguidos de forma obediente, especialmente desde 2004, quando um tsunami no Índico causou mais de 230 mil mortes na Ásia. EFE psh/rr

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