Japão sai definitivamente do Iraque neste ano

Isabel Conde. Tóquio, 28 nov (EFE).- O Japão ordenou hoje sua retirada militar definitiva do Iraque antes do final deste ano, o que conclui uma polêmica missão iniciada em 2004, apesar da Constituição pacifista em vigor desde sua derrota na 2ª Guerra Mundial.

EFE |

A retirada dos últimos membros da Força Aérea japonesa, que se espera concluir em meados de dezembro, coincide com do mandato da ONU que permite às tropas internacionais operar no país em guerra.

Atualmente, o contingente japonês no Iraque conta com 210 membros da Força Aérea e três aviões C310, que operam principalmente da base militar Ali al Salem, do Kuwait.

"A situação no Iraque está melhorando e os iraquianos, administrados por um Governo democrático, são capazes de reconstruir o país por eles mesmos", disse hoje o ministro da Defesa japonês, Yasukazu Hamada.

Por sua parte, o primeiro-ministro do Japão, Taro Aso, considerou que os objetivos "foram cumpridos" e que, embora acabe a missão, "Japão seguirá ajudando ao Iraque através de crédito em ienes e de assistência técnica".

Após acertar a decisão no comitê de Segurança Nacional do Governo, Hamada ordenou hoje a retirada das forças japonesas de Defesa destinadas à missão aérea de apoio logístico no Iraque.

O Governo autorizou ainda o envio ao Iraque de 70 pessoas que formarão um grupo com base no Kuwait para organizar a retirada dos militares.

Este movimento militar iniciado em março de 2004 esteve marcado pela polêmica no Japão, um país no qual a Constituição proíbe explicitamente em seu artigo 9 a participação em conflitos armados.

Apesar disso, há mais de cinco anos o então primeiro-ministro, Junichiro Koizumi, ordenou a participação das Forças Terrestres de Autodefesa, como se denomina oficial o Exército japonês.

Um total de 5.500 militares japoneses viajou, então, ao Iraque para uma missão humanitária em Samawa, no sul do país, onde realizaram tarefas de reconstrução.

Tratava-se da maior operação militar do Japão fora de seu território desde 1945, quando o país foi derrotado na 2ª Guerra Mundial.

Durante dois anos e meio, as tropas japonesas não sofreram nenhuma baixa, mas, em 2006, o país começou sua retirada.

Há dois anos, a presença militar japonesa no Iraque ficou reduzida à missão aérea de apoio logístico, que se ocupava do transporte de tropas multinacionais entre Kuwait e Iraque.

Até agora, a missão aérea japonesa transportou 671 toneladas de materiais e 485 mil pessoas em 810 vôos, segundo os últimos dados divulgados.

Antes que se começasse a planejar a retirada do Iraque, em setembro deste ano, um tribunal japonês declarou pela primeira vez inconstitucional a participação de forças aéreas japonesas no país, em sentença ditada em abril.

Segundo um tribunal de Nagoya, a missão no Iraque viola a Constituição pacifista, imposta pelos aliados após a 2ª Guerra Mundial.

O impacto dessa decisão judicial sobre a medida recém anunciada pelo Governo é incerto.

No entanto, ele pode ter sido mais um dos fatores que estimularam o Japão a tomar esta decisão, junto com a finalização do mandato da ONU e a maior estabilidade no Iraque à qual o Governo se refere.

Aso explicou hoje que "a sociedade internacional está trabalhando para a reconstrução" do Iraque e que a decisão japonesa tem como objetivo "respeitar o Governo do Iraque, que deseja revisar as atividades do corpo multinacional a partir do próximo ano".

O presidente eleito dos EUA, Barack Obama, que tomará posse em janeiro, comprometeu-se a elaborar um plano para a retirada gradual das tropas americanas do Iraque a partir do próximo ano, até 2011.

Por tudo isso a decisão do Japão, aliado incondicional dos Estados Unidos na maioria de suas decisões de política externa, não resultou inesperada. EFE icr/jp

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