Japão reativa primeiro reator nuclear desde acidente de Fukushima

Usina de Tomari volta a funcionar mais de cinco meses após terremoto seguido de tsunami provocar crise no país

iG São Paulo |

As autoridades japonesas autorizaram nesta quarta-feira a reativação de um reator nuclear pela primeira vez desde a crise na usina de Fukushima, provocada pelo terremoto seguido de tsunami de 11 de março.

O reator número 3 da central de Tomari, construída na ilha de Hokkaido (norte), foi acionado depois da autorização, anunciou a operadora Hokkaido Electric Power (HEPCO).

AFP
Imagem aérea mostra a usina de Tomari, em Hokkaido (31/05)
A governadora de Hokkaido, Harumi Takahashi, afirmou ter conversado com os prefeitos dos quatro municípios abastecidos pela central nuclear e garantiu que não existe nenhuma objeção à reativação do reator.

Quase 75% dos 54 reatores nucleares do Japão estão desligados atualmente para manutenção ou por medidas de segurança. Grande parte da opinião pública não quer a reativação dos reatores.

O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, se pronunciou a favor do abandono progressivo da energia nuclear e do uso de energias renováveis. Mas o poderoso ministério da Economia e Indústria (METI) continua favorável à exploração dos reatores aprovados nos testes de segurança impostos pelo governo.

Naoto Kan

O impopular primeiro-ministro deve deixar o cargo neste mês após um acordo aprovado no Parlamento na semana passada. O ministro das Finanças do país, Yoshihiko Noda, surge como favorito para se tornar o sexto premiê do país em cinco anos.

O destino de Kan foi selado por uma votação parlamentar a respeito de um importante pacote legislativo. Mas céticos questionam se um novo líder terá condições de se sair melhor que seus antecessores, que sofreram para implementar políticas que acabem com duas décadas de estagnação econômica e resolvam profundos problemas estruturais numa sociedade que envelhece rapidamente.

A imprensa japonesa disse que o Partido Democrático, de Kan, pretende eleger um novo líder a partir de 28 de agosto, mas uma fonte partidária disse que o processo pode ser adiado dependendo da tramitação do pacote legislativo, que inclui uma lei que autoriza o governo a emitir mais títulos para arcar com o orçamento deste ano.

Uma comissão da câmara baixa do Parlamento aprovou essa lei na quarta-feira. Kan havia dito que isso seria um pré-requisito para a sua renúncia.

O novo premiê terá de encontrar verbas para reconstruir o nordeste japonês depois do terremoto e tsunami de março, apesar da dívida pública que atinge quase 200% do PIB, de US$ 5 trilhões. Além disso, o futuro governo terá de reformular a política energética do país, reagindo à crise nuclear na usina de Fukushima, e promover reformas tributárias e previdenciárias.

Com AFP e Reuters

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