Japão realizará testes de resistência em todas suas usinas nucleares

O país mantém 35 de seus 54 reatores desativados por precaução ou revisões rotineiras após o terremoto e o tsunami de março

iG São Paulo |

O governo do Japão realizará testes de resistência em todos os reatores nucleares do arquipélago, enquanto o país ainda tenta solucionar a crise nuclear na central de Fukushima Daiichi, informou nesta quarta-feira a agência Kyodo.

A medida foi anunciada pelo ministro da Indústria japonês, Banri Kaieda, que em meados de junho fez uma chamada para o restabelecimento dos reatores nucleares fora de serviço desde o terremoto seguido de tsunami de 11 de março.

Os testes em todas as usinas japonesas serviriam para medir sua resistência perante eventuais desastres naturais de grande magnitude, como terremotos e tsunamis. Em anúncio relatado pela agência local Jiji Press, o governo japonês prometeu, também, que o Japão não terá problemas no suprimento de energia.

O Japão mantém 35 de seus 54 reatores desativados por precaução ou por revisões rotineiras após o desastre de março, que provocou no nordeste do país a pior crise nuclear desde a de Chernobyl, em 1986.

Por essas circunstâncias, a provisão elétrica ficou reduzida, o que levou o governo a exigir que empresas e indivíduos do nordeste reduzam seu consumo em 15% durante o verão (Hemisfério Norte).

Por enquanto, apenas a localidade de Genkai (centro do país) aceitou colocar em funcionamento duas das unidades que abriga, embora para ativá-las ainda seja necessária a autorização do governador da Província de Saga, que se pronunciará em meados de julho.

A tragédia de março, que deixou cerca de 20 mil pessoas mortas ou desaparecidas no nordeste do país, provocou vazamentos na usina atômica de Fukushima.

O uso da energia nuclear foi colocado em xeque desde a tragédia japonesa. Países da União Europeia também estão limitando o uso de suas usinas nucleares e promovendo testes nos reatores em funcionamento.

Reuters
Ryu Matsumoto é visto após coletiva em que anunciou sua renúncia (05/07/2011)
Reconstrução

Em outro desdobramento da crise japonesa, o ministro da Reconstrução do Japão, Ryu Matsumoto, renunciou na terça-feira , uma semana após ter assumido o cargo. Ele foi duramente criticado por ter feito declarações consideradas grosseiras e arrogantes dirigidas a governadores de áreas do país gravemente afetadas pelo terremoto e o tsunami.

Ele afirmou que o governo não iria auxiliá-los financeiramente a não ser que eles surgissem com boas propostas de reconstrução e repreendeu publicamente outro representante estadual, recusando-se a apertar sua mão.

A renúncia deverá aumentar ainda mais a pressão sobre o já impopular governo do primeiro-ministro Naoto Kan. A indicação de Matsumoto à recém-criada pasta da Reconstrução, em 27 de junho, visava a conter as críticas à administração do premiê.

No mês passado, Kan enfrentou um voto de desconfiança apresentado por parlamentares insatisfeitos com a forma como lidou com o processo de reconstrução e com a crise em Fukushima.

O primeiro-ministro está há apenas um ano no cargo e se comprometeu a renunciar em breve, mas só depois de conseguir a aprovação, no Parlamento, de vários projetos de lei ligados à recuperação do desastre e de energia renovável.

*Com EFE e BBC

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