Japão proíbe distribuição de carne bovina de Fukushima

Medida foi tomada após a confirmação de que mais de 600 animais foram alimentados com forragem contaminada com césio radioativo

iG São Paulo |

Reuters
Gado que cresceu na Província de Fukushima é apresentado para leilão em Motomiya, Fukushima, Japão (12/07)
O governo do Japão proibiu nesta terça-feira a distribuição de carne bovina da Província de Fukushima, após a confirmação de que mais de 600 vacas foram alimentadas com forragem contaminada com césio radioativo e em meio a uma crescente inquietação pelo alcance da contaminação alimentar na área atingida pela crise nuclear. 

A proibição foi anunciada pelo ministro porta-voz japonês, Yukio Edano, poucas horas depois da detecção do elevado nível de césio radioativo na pastagem utilizada para alimentar ao menos 648 vacas, cuja carne foi distribuída em 38 das 47 províncias do Japão. 

A maior parte da ração contaminada era procedente da Província de Fukushima, onde fica a usina nuclear gravemente danificada pelo terremoto seguido de tsunami de 11 de março, embora também houvesse cultivo na região de Miyagi, ao sul.

Em uma fazenda da localidade de Motomiya, a 57 quilômetros ao noroeste da central atômica, detectou-se um nível de 690 mil becquereles de césio por quilo de forragem, 1.380 vezes o limite permitido pelo governo japonês e o nível mais alto encontrado até o momento.

Mas também foram encontradas altas quantidades de materiais radioativos em pastagens da cidade de Kitakata, a mais de 100 quilômetros da central envolvida no pior acidente nuclear desde Chernobyl. Na Província de Fukushima há 4 mil cabeças de gado que serão inspecionadas pelo governo até o início de agosto. Na vizinha Miyagi, também começaram controles nas 915 fazendas de gado.

Até agora as autoridades regionais solicitavam aos proprietários das fazendas que se abstivessem voluntariamente de vender a carne suspeita de estar contaminada, mas a proibição não era vinculativa. Apesar da proibição, o Ministério da Saúde japonês afirmou que comer várias vezes carne com níveis de césio radioativo superior ao limite fixado pelo governo não afetaria seriamente a saúde.

A paralisação do comércio nesse setor representará um novo revés aos criadores de gado de Fukushima. O governo prometeu indenizações para compensar os prejuízos econômicos e psicológicos causados pela situação.

Também estão previstas compensações para atenuar as perdas resultantes da possível queda dos preços da carne bovina no Japão, onde anteriormente também ocorreu alerta sobre a contaminação em outros alimentos, como espinafres e peixes. Nessas ocasiões, o governo deixou o assunto nas mãos das autoridades regionais, às quais pediu que proibissem a venda dos alimentos afetados, cuja distribuição foi restringida.

A proibição sobre a carne de Fukushima ocorreu no mesmo dia em que a Tepco, operadora da usina nuclear, deu por concluída a primeira fase de seu "Mapa do Caminho" para controlar a planta, ao considerar que os reatores contam com uma refrigeração estável e a radioatividade diminui de modo "constante".

Nas imediações da central, segundo a elétrica, o nível máximo de radioatividade gira em torno de 1,7 milisievert anuais, o que representa até 2 milhões de vezes menos que o máximo alcançado no ponto culminante da crise, em 15 de março.

Naquele dia ocorreu uma explosão de hidrogênio no reator 2, similar às que aconteceram previamente nos reatores 1 e 3, ao mesmo tempo em que teve início uma detonação na piscina de combustível do reator 4.

A Tepco e o governo japonês afirmaram que farão "todo o possível" para que as pessoas que tiveram de deixar suas casas, cerca de 50 mil famílias em um raio de até 30 quilômetros da planta, possam retornar o mais rápido possível. O ministro de Indústria japonês, Banri Kaieda, indicou que parte dos desalojados pode voltar para casa antes que os reatores alcancem o estado de "parada fria", abaixo dos 100 graus centígrados.

*Com EFE

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