Japão lembra aniversário da bomba de Hiroshima

TÓQUIO (Reuters) - Dezenas de milhares de pessoas baixaram a cabeça na quarta-feira em sinal de pesar, enquanto um sino soava às 8h15 (hora local), para lembrar o momento exato do 63. aniversário do primeiro ataque nuclear da história, em Hiroshima, no Japão. O prefeito da cidade recriminou os países que se recusam a abandonar as armas atômicas. Dezenas de milhares de pessoas morreram devido à bomba que os militares dos EUA haviam apelidado de Little Boy (Garotinho), seja em consequência direta da explosão ou durante os anos subsequentes, como resultado de doenças provocadas pela radiação.

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'Nós, que buscamos a abolição das armas nucleares, somos a maioria', disse o prefeito Tadatoshi Akiba em discurso no Parque Memorial da Paz. Estavam presentes o primeiro-ministro Yasuo Fukuda e o embaixador da China (país que tem armas nucleares), além de idosos sobreviventes do ataque.

'No ano passado, 170 países votaram a favor de uma resolução do Japão na Organização das Nações Unidas (ONU) pedindo a abolição das armas nucleares. Só três países, entre os quais os Estados Unidos, se opuseram a tal resolução', afirmou.

Pelos tratados vigentes, países signatários que já têm armas nucleares não são obrigados a se desfazer delas, mas novos países não podem adquiri-las. O Ocidente atualmente acusa o Irã de tentar produzir bombas atômicas. Teerã está sob sanções da ONU por causa disso, mas nega a intenção armamentista do seu programa nuclear.

O prefeito de Hiroshima também prometeu mais ajuda aos sobreviventes que continuam sofrendo os efeitos físicos e psicológicos do ataque, ocorrido nos últimos dias da Segunda Guerra Mundial. Dias depois, os EUA lançaram outra bomba atômica sobre o Japão, desta vez em Nagasaki.

A idade média dos sobreviventes é 75 anos, e Akiba anunciou uma pesquisa sobre os danos emocionais que eles sofreram.

Fukuda também fez um discurso emotivo, em que prometeu assumir a liderança na campanha contra as armas nucleares e dar o máximo de ajuda possível a pessoas que enfrentam as seqüelas da radiação.

(Reportagem de Isabel Reynolds)

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