Japão investiga possível dano em núcleo de reator de Fukushima

Empresa tenta descobrir causa de vazamento que provocou nível de radioatividade dez vezes maior que o normal

iG São Paulo |

A agência de segurança nuclear do Japão afirmou nesta sexta-feira que um rigoroso exame está sendo realizado para encontrar a causa de um possível vazamento de material radioativo no reator 3 de Fukushima. A usina sofreu graves danos com o terremoto seguido de tsunami ocorrido em 11 de março.

A Tokyo Electric Power Company (Tepco), empresa que controla a usina, afirma que perigosos níveis de radioatividade foram detectados na água acumulada perto do reator. O material radioativo encontrado, segundo autoridades, tem nível 10 mil vezes maior que o considerado normal. Isto pode significar que houve danos na cúpula, nos canos, válvulas ou mesmo no núcleo do reator.

Era neste local que trabalhavam os dois técnicos que foram internados na quinta-feira, com queimaduras nas pernas causadas por raios beta. Eles continuam no hospital.

AP
Cartaz próximo à usina de Onagawa pede fim do uso de energia nuclear no Japão (25/03)

O porta-voz da Tepco, Hidehiko Nishiyama, disse que não há dados, como nível de pressão, que indiquem um possível dano no núcleo do reator. "Ainda é incerto como o vazamento aconteceu", disse à imprensa.

O primeiro-ministro do Japão disse nesta sexta-feira que a situação da usina nuclear é muito grave e não dá margem para qualquer previsão otimista no momento. "A condição atual da usina nuclear de Fukushima ainda não nos permite ter qualquer otimismo. Nós faremos o máximo para impedir que a situação se deteriore ainda mais", disse o premiê.

"Eu sinceramente peço desculpas a fazendeiros e produtores de leite pelos danos severos (causados pela crise nuclear). Nós daremos o máximo para compensar pelos prejuízos e dar-lhes apoio", afirmou Kan.

Zona de isolamento

Também nesta sexta-feira, o governo japonês sugeriu que os moradores num raio de 20km a 30km da usina de Fukushima deixem suas casas de forma voluntária.

Segundo Yukio Edano, porta-voz do governo, a medida é para facilitar o acesso destas pessoas a produtos de primeira necessidade, e não tem relação com a questão da segurança ou contaminação radioativa. "A distribuição de produtos está afetada e isso dificulta a sobrevivência por um longo período de tempo", disse Edano a jornalistas.

Segundo a agência de notícias Kyodo, as empresas de distribuição alegaram que motoristas têm medo de se expor à radiação e por isso resistem a ser enviados ao local. O governo japonês garantiu total assistência e colocou à disposição transporte e abrigo.

No entanto, Edano afirmou que não há intenção de expandir a área de evacuação, que até o momento é de 20km de distância da usina nuclear.

Na China, dois turistas japoneses que saíram de Tóquio foram internados com alto nível de radiação. Ainda não se sabe como eles foram contaminados, já que disseram que não chegaram perto da província de Fukushima.

Segundo o governo chinês, os dois estão num hospital especializado e foram feitos testes nas malas e roupas que detectaram níveis "seriamente acima do normal".

Com BBC

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