Alto nível de radiação dificulta trabalho em Fukushima, que conta com helicópteros e canhões d'água

Helicóptero militar pega água do mar antes de seguir para a usina de Fukushima (17/03)
AP
Helicóptero militar pega água do mar antes de seguir para a usina de Fukushima (17/03)
O Japão intensificou nesta quinta-feira os esforços para resfriar os reatores da usina nuclear Fukushima Daiichi, que apresenta graves falhas desde o terremoto seguido de tsunami que atingiu o país em 11 de março. No entanto, o alto nível de radiação no local dificulta o trabalho dos militares e policiais que comandam as operações.

Nesta quinta-feira, oito canhões d'água passaram a ser usados na tentativa de reduzir a temperatura do reator 3. Porém, os militares que operavam os canhões foram obrigados a recuar por causa dos altos índices de radiação. A agência Kyodo afirmou que a operação foi retomada posteriormente, mas não deu outras informações.

Autoridades japonesas também começaram a usar helicópteros militares CH-47 Chinook para jogar toneladas de água nos reatores três e quatro da usina de Fukushima. A operação começou às 9h48 (21h48 de quarta-feira em Brasília), segundo as autoridades locais.

As aeronaves descarregaram quatro cargas de água antes de deixar o local para tentar reduzir ao máximo a exposição das tripulações à radiação. Porém, imagens de televisão mostravam que o vento parecia impedir que grande parte da água chegasse ao local desejado. A Tokyo Electric Power (Tepco), operadora da central nuclear de Fukushima, afirmou que a ação dos helicópteros não reduziu sensivelmente os índices de radiação.

Cada equipe a bordo dos helicópteros faz voos de no máximo 40 minutos, na tentativa de reduzir sua exposição à radiação. Na quarta-feira, o alto nível de radioatividade impediu que a mesma operação fosse realizada.

A Tepco informou na manhã de quinta-feira (noite desta quarta-feira em Brasília) que "concentra seus esforços" em restaurar o fornecimento de energia para reativar as bombas d'água do sistemas de resfriamento dos reatores da usina.

"Não podemos dizer quando, mas queremos restaurar a fonte de energia o mais rápido possível", declarou à AFP o porta-voz da Tepco, Naohiro Omura. O porta-voz revelou que a companhia espera iniciar os trabalhos de reparo na quinta-feira.

A crise nuclear no Japão teve origem no corte de energia após o terremoto seguido de tsunami de sexta-feira, que também paralisou os geradores de emergência da usina de Fukushima 1, derrubando o sistema de refrigeração dos reatores atômicos.

A queda no sistema de resfriamento provocou a evaporação da água e o risco de exposição do material radioativo nos reatores, onde já ocorreram quatro explosões de hidrogênio e dois incêndios, em meio a crescentes níveis de radiação.

A Tepco está reparando as linhas de energia da Tohoku Electric Power Co., que abastecem a região, para ligá-las ao sistema de transmissão elétrica em Fukushima. "Com o trabalho completo, teremos a capacidade de ativar várias bombas elétricas e jogar água nos reatores e nas piscinas de combustível nuclear usado", destacou o porta-voz.

Preocupação dos EUA

Na quarta-feira, o chefe da agência de regulação nuclear dos Estados Unidos, Gregory Jaczko, disse que os danos na usina nuclear japonesa parecem mais sérios do que o divulgado pelo Japão.

Em audiência no Congresso americano, em Washington, Jaczko afirmou que os esforços para resfriar os reatores da usina com água do mar para impedir que derretam estão falhando, e trabalhadores de emergência nos arredores da instalação podem ser expostos a uma radiação "potencialmente letal". "Acreditamos que ao redor do local do reator haja altos níveis de radiação", disse ele.

O Departamento de Estado americano pediu aos americanos que vivam a até 80 km da usina japonesa que deixem a área, perímetro muito mais abrangente que a zona de exclusão de 20 km aconselhada pelo governo japonês. Fukushima Daiichi está a 280 km da capital japonesa, Tóquio.

O Pentágono disse que está distribuindo pastilhas de iodeto de potássio ao soldados em suas bases militares no Japão, como medida de prevenção contra os efeitos da exposição ao material radioativo, e a Grã-Bretanha aconselhou seus cidadãos em Tóquio e ao norte da capital a deixar a região.

O Ministério de Relações Exteriores do Japão pediu calma aos países que alertaram suas populações para deixarem ou não viajarem para o Japão por causa do temor de um acidente nuclear. Segundo o governo, a situação está sob controle, mas diversos países se mostram alarmados.

Com AP e BBC

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