Japão inicia nesta segunda processo de escolha do novo primeiro-ministro

Patricia Souza. Tóquio, 21 set (EFE) - O Japão iniciará nesta segunda-feira o processo de escolha do novo primeiro-ministro do país, que deve convocar eleições antecipadas para tentar manter o poder nas mãos do governamental Partido Liberal-Democrata (PLD), legenda hegemônica durante meio século na política japonesa. A não ser que haja alguma surpresa, Taro Aso, ex-ministro de Exteriores, de 66 anos, será escolhido esta semana como terceiro chefe do Governo japonês em apenas dois anos graças aos votos do PLD e sem passar pelas urnas. O processo começa nesta segunda-feira com votação interna do partido hegemônico para escolher seu novo presidente em substituição ao impopular Yasuo Fukuda, de 72 anos, que no dia 1º anunciou sua renúncia ao cargo de primeiro-ministro pelo bloqueio da oposição no Senado às suas iniciativas. Os cinco candidatos ao cargo dedicaram hoje seus últimos esforços para conquistar votos, embora a eleição pareça estar decidida, já que mais de 50% do partido apóia Aso, carismático parlamentar defensor dos mangás (histórias em quadrinhos japonesas) e que respalda posturas nacionalistas sobre política externa. Mais uma vez, serão 528 parlamentares do PLD que escolherão o primeiro-ministro do Japão, pois o presidente desta legenda será, sem dúvidas, ratificado à frente do Governo na votação que será realizada pelo Parlamento no dia 24. O PLD e seu aliado Novo Komeito têm a maioria de dois terços na Câmara de Representantes. A Constit...

EFE |

Será a terceira vez desde setembro de 2006 que a população japonesa assiste à escolha de um primeiro-ministro sem passar pelas urnas, embora espera-se que, desta vez, o eleito antecipe, no final de outubro ou começo de novembro, o pleito previsto para setembro de 2009.

Yasuo Fukuda e seu antecessor Shinzo Abe duraram somente um ano no cargo, em um contexto de grande crescimento da oposição que poderia dar uma reviravolta política histórica no Japão, apesar de ninguém se atrever a apostar nisso.

Exceto por um curto período de tempo - entre 1993 e 1994 -, o PLD vem governando o Japão ininterruptamente desde 1955, mas agora está mais perto de perder o poder devido ao domínio do opositor Partido Democrático (PD), que hoje reelegeu Ichiro Ozawa como presidente.

Aos 66 anos, Ozawa, que foi membro do PLD e de outros dois partidos, sem contar o que preside atualmente, tem a oportunidade real de se transformar em primeiro-ministro em virtude do desânimo da população com o Governo e dos problemas econômicos do país.

No entanto, os analistas japoneses concordam em que a única coisa certa é que o resultado está indeterminado: a oposição pode ganhar as eleições, mas o PLD, com Aso se mostrando muito mais popular que Fukuda, também pode vencer, embora possivelmente com um apoio menor na Câmara Baixa.

Aso deixou escapar que, logo após ser eleito nesta quarta-feira, nomeará como ministros seus quatro rivais à Presidência do PLD: o ministro da Economia, Kaoru Yosano, o filho do prefeito de Tóquio Nobuteru Ishihara, o ex-ministro da Defesa Shigeru Ishiba e a primeira mulher a querer governar o Japão, Yuriko Koike.

A campanha interna do PLD foi, este ano, a mais movimentada da história, com cinco candidatos, mas há consenso entre a imprensa de que se tratou mais de uma estratégia para impulsionar o apoio do partido às vésperas da eleição.

Espera-se que o novo primeiro-ministro dissolva a Câmara Baixa na primeira semana do próximo mês e que as eleições gerais sejam realizadas em 26 de outubro ou em 9 de novembro. EFE psh/fh/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG