Japão informa à AIEA de medidas para diminuir temperatura em usina nuclear

Será produzida a saída controlada de vapor com a intenção de reduzir a pressão no reator e evitar vazamento de radiação

EFE |

As autoridades japonesas comunicaram à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que tomaram medidas para diminuir a temperatura em um reator da usina de Fukushima, gravemente danificado pelo terremoto de sexta-feira.

Trata-se do reator Fukushima 1 da usina Daiichi, onde se produzirá a saída controlada de vapor com a intenção de reduzir a pressão no reator para que não haja vazamento de radiação. O organismo, com sede em Viena, lembrou que o governo japonês dispôs a retirada de habitantes em um raio de dez quilômetros ao redor da usina nuclear.

Segundo um comunicado divulgado em seu site, a AIEA continua em contato com as autoridades japonesas e está em plenas condições de acompanhar de perto a situação na usina nuclear 24 horas por dia. A Agência para a Segurança Nuclear do Japão confirmou neste sábado que já foi detectado um vazamento de césio radioativo perto da usina, em cujos arredores as autoridades retiraram 46,8 mil pessoas depois que o nível de radiação subiu a um nível incomum.

Reuters
Fumaça é vista em área devastada por tremor e tsunami em Sendai (12/03)

As autoridades japonesas acreditam que um reator da usina nuclear de Fukushima pode experimentar um processo de fusão após o forte terremoto. A operadora da usina, a Tokyo Electric Power, esforça-se para reduzir a pressão onde os reatores estão abrigados para evitar um processo de fusão de seus núcleos, o que poderia desprender uma alta quantidade de radiação.

A tentativa de diminuir a pressão ajudaria a liberar vapor que provavelmente incluiria materiais radioativos, segundo a Agência de Segurança Nuclear do Japão.

O governo japonês pediu calma à população, em sintonia com especialistas como o professor Naoto Sekimura, da Universidade de Tóquio, que assegurou que os reatores estão esfriando e praticamente todo o material nuclear continua em seu lugar.

Em declarações à emissora de televisão nacional "NHK", Sekimura lembrou que os reatores estão paralisados e não considerou necessário ampliar a zona de isolamento decretada. No centro nuclear número 1 de Fukushima, a radiação chegou após o terremoto a nível até mil vezes maior que o habitual na sala de controle de um dos reatores, sendo que perto da entrada principal da usina o nível registrado foi 70 vezes maior.

O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, confirmou neste sábado que houve o vazamento de "quantidades mínimas de radiação" na usina de Fukushima.

A companhia de eletricidade japonesa Tokyo Electric Power (Tepco) alertou neste sábado sobre o risco de uma interrupção da eletricidade na capital Tóquio e arredores em função dos danos causados pelo terremoto nas centrais de fornecimento da região.

A Tepco aconselhou aos cidadãos que reduzam o consumo de energia. As preocupações da Tepco decorrem da paralisação do funcionamento das usinas nucleares Fukushima 1 e Fukushima 2 situadas, na zona devastada pelo terremoto seguido de tsunami.

Horas depois do alerta, um forte terremoto de 6,4 graus de magnitude atingiu a região de Fukushima, no Japão, onde está localizada a instalação nuclear que sofreu uma explosão neste sábado. Não há informações de vítimas ou danos causados pelos tremor, que é reflexo do abalo que atingiu o país na sexta-feira e provocou um tsunami que devastou a costa leste.

De acordo com o Instituto de Geofísica dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês), o epicentro do tremor foi a 84 km de Fukushima e aconteceu às 22h15 (horário local), a 35 km de profundidade. Dezenas de réplicas do terremoto de sexta-feira já foram registradas no país.

Maior tremor da história do Japão

Horas antes do novo tremor, uma explosão destruiu um dos prédios e feriu quatro trabalhadores da Fukushima 1, a cerca de 250 quilômetros a nordeste de Tóquio. O porta-voz do governo japonês, Yukio Edano, afirmou que o reator nuclear não foi danificado e a pressão sobre ele diminuiu após a explosão. O nível de radiação no local também estaria diminuindo, segundo Edano.

De acordo com autoridades japonesas, a explosão não foi causada pelo reator nuclear, mas, sim, pelo ar e vapor com radioatividade liberados para tentar aliviar os altos níveis de pressão.

O terremoto de 8,9 graus de magnitude atingiu a costa nordeste do Japão e provocou um tsunami em cidades na região norte.

De acordo com o Instituto de Geofísica dos Estados Unidos (USGS), trata-se do maior tremor já registrado no Japão, o sétimo  maior da história mundial  desde que os abalos sísmicos começaram a ser listados e o quinto maior desde 1900..

Até hoje, o mais forte terremoto do Japão tinha acontecido em 1933. Com 8,1 graus de magnitude, o tremor atingiu a região metropolitana de Tóquio e matou mais de 3 mil pessoas. Os tremores de terra são comuns no Japão, um dos países com mais atividades sísmicas do mundo, já que está localizado no chamado "anel de fogo do Pacífico".

O país é atingido por cerca de 20% de todos os terremotos de magnitude superior a 6 que acontecem em todo o planeta.

Com AP, EFE e BBC

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