O primeiro-ministro japonês, Yasuo Fukuda, está rodeado nesta sexta-feira por um governo renovado, com 13 novos ministros, num último esforço para tentar recuperar sua popularidade, que está em queda livre.

Ele no entanto teve de ceder às pressões dentro de seu partido para nomear seu rival, o popular Taro Aso, para o cargo estratégico de secretário geral do Partido Liberal Democrata (PLD), a grande formação da direita conservadora que dirige o Japão há mais de 50 anos.

Entre os 17 ministros, 13 são novos no gabinete, dois dos quais mulheres.

Fukuda manteve seu porta-voz e número dois do governo, Nobutaka Machimura, e seu ministro dos Assuntos estrangeiros, Masahiko Komura.

Em contrapartida, o primeiro-ministro deu sinal de uma mudança na estratégia econômica nomeando para cargos chaves liberais reformadores, dos quais alguns partidários de um aumento dos impostos.

Bunmei Ibuki, 70 anos, que era até agora número dois do PLD, foi nomeado ministro das Finanças, e Kaoru Yosano, um liberal de 69 anos que defende energicamente um aumento do imposto sobre o consumo para abastecer os caixas do Estado, herança do ministério da Política econômica e orçamento.

Os dois têm reputação de ser partidários de uma política de austeridade.

O ministério da Economia, do Comércio e da Indústria (Meti) foi atribuído a Toshihiro Nikai, 69 anos, que já havia exercido estas funções no governo do primeiro-ministro liberal Junichiro Koizumi.

O ministério da Defesa, que foi marcado nos últimos meses por uma sucessão de escândalos, foi confiado a um recém-chegado de 47 anos, Yoshimasa Hayashi, diplomado em Harvard.

Na entrevista à imprensa posterior à nomeação do gabinete, Fukuda prometeu realizar reformas para melhorar a vida dos japoneses.

"É verdade que muitas pessoas têm a sensação de que a vida se tornou mais difícil desde o ano passado", reconheceu o chefe do governo, que assumiu suas funções há dez meses.

"Formei um governo que vai permitir aos japoneses colher os frutos da reforma", prometeu.

Desde sua nomeação no fim de setembro de 2007, Fukuda governava com uma equipe de 17 ministros, dos quais 15 foram nomeados por seu predecessor, Shinzo Abe, pouco antes de sua demissão.

Durante dez meses corridos, a cota de popularidade do primeiro-ministro não parou de cair, em razão principalmente de um novo plano de cobertura médica, que vai provocar uma alta das cotações para as pessoas mais velhas.

Diante de sua incapacidade de reverter as pesquisas, que o colocam abaixo dos 30% de satisfeitos, algumas vozes se alçaram dentro do PLD, mas também do New Komeito, pequeno partido membro da coalizão governista, para reivindicar a substituição de Fukuda ou eleições antecipadas.

Fukuda, de 72 anos, cujo pai foi primeiro-ministro, vem resistindo aos pedidos da oposição para dissolver o Parlamento antes da data prevista das eleições legislativas de setembro de 2009.

"Não penso que seja o momento de discutir uma dissolução", afirmou Fukuda.

A designação de Aso, 68 anos, para o posto de secretário geral, considerado um trampolim para primeiro-ministro, dá a entender que o pós-Fukuda já foi definido pelo PLD.

Aso já fracassou três vezes na corrida para a presidência do PLD, etapa obrigatória para se tornar chefe de governo, mas não esconde sua ambição de tentar novamente.

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