Japão estima em até US$ 308 bi prejuízo com terremoto, diz jornal

Valor superaria em muito os US$ 123 bi em prejuízos com o terremoto que acometeu Kobe, em 1995

Reuters |

O governo japonês estima que o prejuízo total causado pelo devastador terremoto que atingiu o nordeste do país neste mês fique entre 15 e 25 trilhões de ienes (US$ 185 a 308 bilhões ou R$ 307 a 511 bilhões), reportou o jornal Nikkei na quarta-feira (horário do Japão).

O ministro da Economia, Kaoru Yosano, vai apresentar a projeção em um encontro entre ministros que ocorrerá na quarta-feira, afirmou o jornal, sem citar fontes. O valor superaria em muito os US$ 10 trilhões de ienes (US$ 123 bilhões) em prejuízos com o terremoto que acometeu Kobe, em 1995, segundo o Nikkei.

A estimativa abrange as perdas envolvendo estradas, moradias, fábricas e outros tipos de infraestrutura, mas não inclui os prejuízos na atividade econômica decorrentes da interrupção na produção de energia elétrica e do acidente nuclear na usina de Fukushima, de acordo com o jornal.

O governo vai utilizar a previsão para criar planos para combater os problemas causados pelo tremor e um orçamento emergencial para financiar os custos com a recuperação, disse o Nikkei. 

Novos tremores

Dois fortes terremotos de magnitude 6 e 5,8 graus na escala Richter ocorreram na manhã de quarta-feira em uma ampla área do nordeste japonês, sem que, aparentemente, causassem danos. Segundo a televisão pública japonesa "NHK", o maior dos tremores, de 6 graus, foi registrado às 07h12 local (19h12 de Brasília) e seu epicentro foi localizado ao sul da província de Fukushima, em Daiichi, no leste do Japão.

Minutos após o terremoto, as autoridades japonesas indicaram que não era necessário emitir um alerta de tsunami. O tremor foi sentido com uma intensidade de grau 5, na escala japonesa de sete pontos, nas localidades de Hamadori e Ibaki.

Reuters/Divulgação
Seguem as tentativas de resfriar os reatores de Fukushima
A "NHK" disse que o tremor, que durou cerca de 20 segundos, fez suspender o serviço de trem de alta velocidade da linha Tohoku entre Oyama e Nasu, para checar o estado das vias.

Cerca de 24 minutos depois desse terremoto foi registrado outro de 5,8 graus na mesma zona, cujo epicentro foi localizado a 10 quilômetros de profundidade nas proximidades de Hamadori e que também não gerou nenhum alerta de tsunami.

Cabos conectados

Equipes conseguiram conectar cabos de força em todos os seis reatores da usina nuclear de Fukushima Daiichi, no leste do Japão, em meio a esforços para restabelecer o sistema de resfriamento do local. O correspondente da BBC em Tóquio Chris Hogg afirma que, apesar disto, mais testes são necessários para saber se o fornecimento de energia pode ser retomado com segurança na usina.

Segundo Hogg, a eletricidade somente será reativada depois que todas as inspeções forem realizadas. Os trabalhos nos reatores foram interrompidos na segunda-feira devido a temores de que radiação poderia estar vazando de Fukushima por meio de uma nuvem de fumaça.

No entanto, os níveis de radiação na área caíram nesta terça-feira, depois de apresentar alta por um breve período no dia anterior. Nesta terça-feira, por cerca de uma hora, equipes jogaram mais água do mar sobre o reator 3 de Fukushima, em uma tentativa de impedir o derretimento dos bastões de combustível nuclear no local.

O repórter da BBC afirma que o acúmulo de destroços das explosões ocorridas na usina na semana passada torna mais difícil o trabalho de fazer a água chegar até a superfície dos reatores.

Radiação em alimentos

As autoridades japonesas detectaram a presença de substâncias radioativas acima dos limites legais no brócolis e no leite não pasteurizado procedentes de áreas próximas à usina nuclear danificada pelo terremoto no Japão, informou a imprensa local nesta quarta-feira. O leite contaminado foi registrado na província de Ibaraki e o brócolis foi encontrado em Fukushima, local da usina nuclear danificada, informou a agência de notícias Kyodo News, não dando mais detalhes.

O anúncio ocorre em meio ao aumento das preocupações no Japão sobre a segurança dos alimentos do país, depois que os sistemas de resfriamento do combustível nuclear foram danificados na usina de Fukushima 1 com o terremoto seguido de tsunami ocorrido em 11 de março.

A França pediu à Comissão Europeia que imponha "controles sistemáticos" nas importações de produtos frescos vindos do Japão para a União Europeia, em meio a temores de contaminação nuclear, informou o Ministério da Agricultura em Paris nesta terça-feira.

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