Japão escolhe neste domingo seu novo primeiro-ministro

Tóquio, 29 ago (EFE).- O Japão elege neste domingo seu novo primeiro-ministro para os próximos quatro anos em eleições que, se forem cumpridas as pesquisas, abrirão uma nova era política na segunda maior economia mundial, por causa da esperada vitória da oposição.

EFE |

Os colégios eleitorais para as eleições que renovarão totalmente a Câmara de Representantes (Deputados) abriram às 7h (local de domingo, 19h do sábado em Brasília) para que mais de 104 milhões de japoneses maiores de 20 anos possam exercer seu direito ao voto até as 20h (8h de Brasília).

O favorito é Yukio Hatoyama, de 62 anos e líder do opositor Partido Democrático (PD), que defende um programa reformista centrado na necessidade de "mudança" e segundo as pesquisas poderia obter um claro triunfo que acabaria com a hegemonia do PLD, a força que governou o Japão durante 54 anos.

Hatoyama defende uma maior defesa dos trabalhadores nestes tempos de crise, congelamento de impostos e redução da extensa burocracia japonesa que implicaria corte de gastos, além de uma política externa de igual para igual com os Estados Unidos.

Espera-se conhecer os resultados das eleições nas primeiras horas da próxima segunda-feira, segundo a agência local "Kyodo", embora no fechamento dos colégios os meios de comunicação publicarão pesquisas de boca-de-urna.

O Ministério do Interior divulgará durante o dia dados parciais de participação, que se espera supere os 67,5% do pleito de 2005 vencido por Junichiro Koizumi e se aproxime de 70%, segundo as pesquisas.

O voto antecipado já bateu um recorde histórico e até sexta-feira chegou a 10,94 milhões ou 10,49% do censo, segundo o Ministério do Interior.

Entre os que já votaram destacque para os dois principais candidatos, o opositor Yukio Hatoyama e o primeiro-ministro, Taro Aso, de 68 anos e do Partido Liberal-Democrata (PLD), cujas circunscrições ficam longe de Tóquio.

Todas as enquetes divulgadas até este sábado, último dia de campanha, preveem uma derrota humilhante para o PLD, o partido que governou o Japão desde 1955, com um pequeno parêntese de 10 meses entre 1993 e 1994.

No entanto, uma das chaves será o comportamento de última hora no voto dos indecisos, que as pesquisas situam entre 20% e 30% do eleitorado.

A meteorologia, que prevê possíveis tempestades e calor, pode também afetar o resultado. O dia amanheceu ruim em Tóquio, onde caiu um pouco de chuva.

A Câmara de Representantes, integrada por 480 deputados, é claramente dominada pelo PLD, com 303 deputados e o apoio das 31 cadeiras de seu aliado Novo Komeito, enquanto o opositor PD tem 112.

As pesquisas realizadas antes do pleito, no entanto, assinalavam uma reviravolta histórica: o PLD ficaria com cerca de 100 cadeiras enquanto o opositor Partido Democrático superaria as 300 e obteria maioria absoluta.

Segundo os analistas, o atual sistema eleitoral, aprovado em 1994, favorecerá o PD, que realizou uma campanha mais próxima dos cidadãos e apresentou candidatos mais jovens que o PLD, cuja média de idade de seus aspirantes ronda os 60 anos.

Cada eleitor deve depositar hoje dois votos: um com um nome próprio, para os 300 deputados que se elegerão por um sistema de assento único, e outra para um partido, com o que designarão um total de 180 representantes de modo proporcional.

Dessa forma espera-se que conhecidos pesos pesados do PLD possam salvar hoje sua cadeira ainda no caso de perderem a eleição de candidato único.

Outras sete legendas políticas têm possibilidades de obter representação na Câmara Baixa, entre elas o Partido Social Democrata (PSD) e o Novo Partido do Povo, com os quais o PD prometeu governar em coalizão. EFE psh/ma

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